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Hotel caro

Da última vez que viemos a Londres, quem reservou o hotel fui eu e minha mão de vaca, portanto, tratava-se de um belíssimo hotel no qual pagávamos 5 libras para usar o controle remoto e, no quarto, para uma pessoa ficar em pé a outra precisava estar na cama ou no banheiro, dada a amplitude do cômodo.

Ruth Manus, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2016 | 02h00

Desta vez, não fui eu que escolhi o hotel, já que era uma viagem de negócios do meu namorado, e a empresa encarregou-se disso. Tratava-se, então, de um lugar bonito e cheio de mimos. 

Chegamos ao quarto e eu queria acender a luminária. Não havia interruptor na base. Reparei num painel de botões na parede. Apertei o primeiro e uma cortina preta começou a descer na frente da janela. O segundo ligou o ar condicionado na temperatura do Alasca. O terceiro ligou a TV, na qual os Bee Gees berravam TRAGEDY nananananana TRAGEDY. Nada da luminária. Desisti e fui dormir. Na cama havia 8 travesseiros. Deitei na pontinha para não incomodá-los.

Na manhã seguinte, quando chegamos ao café da manhã, a moça disse que tínhamos direito ao british breakfast, perguntando se sabíamos o que estava included. Não sabíamos. Ela então abriu os braços como se estivesse num musical, girando o tronco ao redor do buffet e disse EVERYTHING, sorrindo de orelha a orelha. Gente, são 8 da manhã, 5 graus lá fora, de onde você tirou esse bom humor, Charlotte?

Depois tentei tomar banho. O chuveiro parecia uma instalação da Nasa: 6 torneiras, buracos na parede, uma coisa parecida com um remo no teto, tudo cromado. Abri uma torneira, começou a voar água na minha cara, vinda da parede. Liguei outra, um jato atrás do meu joelho, depois começou a cair água do remo e de um outro buraco que entrava no meu ouvido. Fui tentar fechar uns jatos e um chuveirinho que estava camuflado ligou, começou a se contorcer no chão, voava água para todos os lados, olha, que coisa assustadora. Não recomendo a ninguém.

Enfiei meu gorro, peguei minha mochila e saí para a British Library para fazer minha research. Na porta do hotel, um homem de cartola, que deve fazer parte da equipe do musical, disse GOOD MORNING MADAM com aquele sotaque do Colin Firth. Virei para trás para procurar a madam, com seu casaco de pele e batom vermelho, mas não havia ninguém. 

Que coisa. Nos hotéis que eu reservo, as coisas não são tão complicadas. É tudo muito prático. Só precisa beber água da torneira e levar chinelo - porque o carpete deixa um pouco a desejar.

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