Hora extra para o crime na surdina

Em Sr. Ávila, nova produção mexicana da HBO, Tony Dalton vive matador de aluguel com emprego de fachada

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h11

Nada de mariachis nem cores de Frida Kahlo. O México que aparece em Sr. Ávila, nova série latina da HBO, com estreia marcada para o próximo domingo, tem tons escuros e uma atmosfera soturna, assim como produções anteriores do canal, como Capadócia. Estrelado por Tony Dalton, a atração conta a história de um homem que trabalha como vendedor de seguros e, nas horas vagas, dá expediente como matador de aluguel.

Com uma expressão séria na maior parte das cenas, o personagem mantém o clima da série. "Quase não sorrio. É parte dele, que não está feliz com sua realidade. Só a mulher dele é que está contente", descreve o ator, que veio a São Paulo na semana passada. Na trama, a segunda profissão é escondida da família. Em casa, ele convive com uma mulher com estranhas variações de humor e um filho introspectivo, com problemas de relacionamento na escola.

Ávila presta serviço para Sr. Moreira (Fernando Becerril), criminoso e dono de uma funerária de fachada, onde funciona o escritório em que as mortes são encomendadas. É lá que o protagonista será promovido ao longo dos episódios e ganhará o título de 'senhor' antes do nome. "Ele está sempre lutando para ver qual lado vai vencer, o de assassino ou de pai de família. Perto do final (da temporada), ele se torna outra pessoa, até mesmo no jeito de andar."

O sangue frio no roteiro escrito pelos irmãos argentinos Walter e Marcelo Slavich - os mesmos da série Epitáfios - deixaram Dalton espantado. "Há uma cena em que ele ajuda o amigo a queimar uma prostituta morta", aponta. Há outras cenas que impressionam, como o momento em que Emiliano (Adrián Alonso), o filho, espanca um cachorro diante dos colegas. Uma das poucas sequências que soam cômicas é a que Ávila vai à igreja confessar os crimes para o padre, cujo rosto não aparece. O suposto religioso comenta os assassinatos como se as atitudes fossem cotidianas.

Integrante do elenco da novela adolescente Rebelde, no México, Tony Dalton acredita que não causará espanto nos fãs ao surgir como assassino na TV. "Isso foi há oito anos. Acho que hoje eles estão numa idade boa para ver Sr. Ávila", disse ao Estado em um almoço com jornalistas. Na época da trama, o ator, que encarnava um inspetor de colégio, costumava ser hostilizado pelo público. "As crianças jogavam coisas em mim quando me viam no supermercado", conta ele, que não gostou de se ver dublado na TV brasileira. "A impressão foi péssima", confessa. Fã de Cidade de Deus e Tropa de Elite, Dalton, norte-americano criado no México, andou sozinho por São Paulo e conheceu a Estação da Luz. "Fiquei impressionado ao ver que havia muitas prostitutas por lá."

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