Homens querem direitos iguais na passarela

Eles dificilmente estampam a primeira página dos jornais e costumam receber cachês muito menores que os das mulheres. Também são minoria nas passarelas da São Paulo Fashion Week. Mesmo assim, os modelos homens têm mostrado, cada vez mais, que são tão bons e tão lindos quanto as concorrentes femininas e têm acumulado trabalhos internacionais importantes.Diferentemente de muitas meninas, que começam a sonhar desde pequenas com o glamour do mundo da moda, a maioria deles entrou por acaso na carreira. Alguns chegaram a relutar em seguir a profissão, mas acabaram cedendo por causa dos cachês e da oportunidade de viajar pelo mundo. "Se eu estivesse trabalhando como administrador de empresas, certamente estaria ganhando menos, se não estivesse desempregado", acredita o top paulista Paulo Ferreira, de 24 anos, que trocou a faculdade pela moda. Nascido em Itapira, no interior paulista, ele foi descoberto pela agência Elite há três anos e meio, quando saía do cinema no shopping. Desde então, coleciona trabalhos importantes, como editoriais ao lado de Kate Moss e editoriais para revistas como a L´ Uomo Vogue. Nesta Fashion Week, fará 11 desfiles.A história na moda de Carlos Bokelmann, de 23 anos, começou numa festa, logo depois de tomar um fora da namorada, aos 17 anos. "Estava lá lambendo as feridas quando apareceu um booker gritando: você é lindo, tem rosto internacional", conta. Após o susto inicial, ele começou a fazer alguns trabalhos, mas só aceitou sair do País depois de passar no vestibular. Em 1999, acabou deixando os estudos e para investir na carreira nacional e internacional. Modelo da Elite, já fez campanhas para Chanel, Dolce & Gabanna e Valentino e mantém o corpo jogando futebol e vôlei de praia. Para ele, uma das coisas chatas da profissão é, antes dos desfiles, ter de ficar 40 minutos parado enquanto fazem escova em seus cabelos encaracolados.A booker da Ford Models Pati Madureira explica que a carreira do homem na moda é mais complicada que a das mulheres, porque o período é curto. "Vai dos 15 aos 25 anos se ele conseguir manter o peso e ficar antenado com corte de cabelo, corpo perfeito, sempre definido", conta. "Mas é difícil um homem ganhar milhões como as mulheres. A campanha mais alta que eu já fiz para um homem foi de R$ 35 mil, enquanto que para mulher chegou a R$ 80 mil", diz. Segundo ela, a situação já foi pior. "A Gisele (Bündchen) abriu portas inclusive para homens. Antes achavam que no Brasil só tinha homem latino, mas viram que tem caras do mundo inteiro". Pati diz que há cinco anos a temporada internacional tinha 3 brasileiros; hoje são 85.

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