Homens apaixonados por "Mulheres Apaixonadas"

Que fique bem claro, leitores, que o administrador Moisés Sitton, de 30 anos, primeiro personagem desta matéria sobre homens que adoram novela, detesta novela. Só a partir da promessa de que suas opiniões contrárias seriam destacadas ele aceitou participar da reportagem. Então, antes de entrar de fato no assunto, deixemos o Moisés teorizar: "Sou contra a novela porque ela compromete a sociabilidade do ser humano. Durante o dia temos compromissos, não dá pra perder todas as noites em frente à tevê". O curioso é que o Moisés sabe tudo sobre Mulheres Apaixonadas - e por isso está aqui nesta matéria. Aliás, ele foi o primeiro a fazer "psssiu" quando Marcos (Dan Stulbach) apareceu batendo em Fred (Pedro Furtado) no capítulo de segunda-feira - visto pela repórter na companhia de cinco homens exaltados. Dois deles são fãs declarados da atração - Rogê David, 29, empresário, e Jeff Bally, 29, economista. Outros dois (André Nehmad, 29, empresário, e Victor Antar, 31, engenheiro civil) preferem Kubanacan. Quem completa o quinteto é o Moisés - que faz questão de repetir que detesta novela, esclarecendo que o que sabe "é por causa da esposa". É que enquanto ela vê a novela ele "sociabiliza" ao lado, lendo revista. O grupo confirma o que a Globo já detectou: boa parcela do público de telenovelas é masculina (37% segundo a pesquisa mais recente). E a Helena de Mulheres Apaixonadas garante que a porcentagem só aumenta. "Nunca os homens me abordaram tanto para falar de novela como agora", diz Christiane Torloni. A maioria começa a acompanhar os capítulos por causa de alguma mulher (a própria, quase sempre) e acaba virando fã. Mas é verdade que o jeito deles de assistir é diferente das mulheres. Nos intervalos, eles falam de futebol e não sobre como o figurino da Luciana (Camila Pitanga) está o máximo, por exemplo. E nem sempre se dedicam exclusivamente à tevê - dá para jogar pôquer e ver novela ao mesmo tempo. O que não dá é para ver o Caco Ciocler sempre interpretando um judeu "da mesma maneira estereotipada" (todos os entrevistados são judeus e aproveitaram a reportagem para fazer essa reclamação). Eles aproveitam, aliás, para fazer outros pedidos à Globo: que da próxima vez A Casa das Sete Mulheres não passe tão tarde, que a Edwiges (Carolina Dieckman) enfim perca a virgindade, que a Raquel (Helena Ranaldi) reaja ao marido, que a Dóris (Regiane Alves) pare de maltratar os avós... E com licença, que a novela está no ar.

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