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Homenagens a Liz Taylor

Era só uma questão de tempo, e quanto mais rápido melhor, para que os canais de TV iniciassem suas homenagens a Elizabeth Taylor, a mítica estrela de Hollywood que morreu na quarta-feira, aos 79 anos. O TCM, da Turner, realiza amanhã seu tributo e oferece, a partir das 16 horas, uma série de seis filmes que deverão entrar pela madrugada.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2011 | 00h00

A série começa com A Coragem de Lassie, de Fred Wilcox, quando Liz tinha 14 anos. Inclui dois de seus papeis mais fascinantes de atriz adulta, ambos adaptados de peças de Tennessee Williams - a Maggie de Gata em Teto de Zinco Quente, de Richard Brooks, e a Catherine de De Repente, no Último Verão, de Joseph L. Mankiewicz.

Mas a ênfase está na Liz dos anos 1940 e começo dos 50, em filmes como Adoráveis Mulheres, de Mervyn LeRoy; Ivanhoé, de Richard Thorpe; e Minha Vida com Papai, de Michael Curtiz. Liz menina já era um assombro de beleza e, mesmo contracenando com a cachorra Lassie, já prendia o olho do espectador. Os destaques da programação, porém, são os filmes adaptados de Tennessee Williams. Para o espectador de hoje, pode ser uma informação inusitada a de que o código de censura da indústria proibia que casais, mesmo casados, compartilhassem a cama nos filmes. Com rudeza, Judith Anderson, que faz a sogra de Liz, bate no leito duplo e diz que é ali que as coisas têm de funcionar. Se não há ajuste na cama, o casamento desmorona.

O código impediu, ou foi uma decisão consciente do diretor Brooks, um romântico de carteirinha, que ele fosse ao fundo do homossexualismo reprimido do personagem de Paul Newman. O marido vive falando do amigo que morreu. Maggie, a gata que arde de desejo, veste uma lingerie para tentar trazer Paul Newman para a cama. Uma peça tão íntima, e sensual - como Liz a porta -, não era frequente na época, mas virou. Liz usou lingerie de novo em Disque Butterfield 8, que lhe deu o primeiro Oscar, em 1960.

De Repente é ainda mais complexo. O canibalismo vira metáfora para o homossexualismo e a personagem de Liz quase sofre lobotomia, exigida por Katharine Hepburn para impedir que ela revele o que sabe sobre a morte de seu primo, Sebastian. Toda tragédia passa pela palavra no cinema de Mankiewicz. Por extravagante que seja, seu filme é uma obra-prima.

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