Hollywood e a febre do 3D

Graças ao sucesso de O Rei Leão nesse sistema em 2011 e a redução de custos, a conversão se consolida na indústria

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h10

Desde a sexta-feira passada, A Bela e a Fera estão dançando em 3D numa sala perto de você. Elas são 111 em todo o Brasil e exibem a animação de Kirk Wise e Gary Trousdale somente em cópias dubladas. Nesta semana, Star Wars Episódio 1 - A Ameaça Fantasma também ganha nova formatação e invade as telas em 3D. Hollywood está passando seu acervo a limpo. Desde que O Rei Leão, relançado em 3D no ano passado, atingiu quase US$ 100 milhões no mercado doméstico - batendo, por exemplo, as receitas de As Aventuras de Tintim -, a febre da conversão se consolidou na indústria.

"O público quer 3D", avaliza Robert Newman, que fez a conversão de A Bela e a Fera. Ele explica que a diminuição dos custos também ajuda bastante. "Antes, um minuto de conversão não saía por menos US$ 100 mil. Hoje, este custo já baixou para US$ 25 mil. Ficou mais barato, e sem prejuízo da qualidade." Nos próximos meses, a enxurrada de conversões deve prosseguir. Aí vêm Top Gun, e os tietes estão loucos para ver as acrobacias aéreas de Tom Cruise ao som de Take My Breath Away, bem como Leonardo Di Caprio e Kate Winslet, embalados por My Heart Will Go on, em Titanic.

O caso de Titanic é especial. Na famosa cena da proa no transatlântico, James Cameron interveio agora no original para aumentar a profundidade de campo. Ele afastou a dupla de atores digitalmente e teve de preencher o vazio criado pela nova profundidade, respeitando as cores do entardecer. Não houve nada parecido em A Bela e a Fera. "A animação já havia sido feita com técnicas de computador. A movimentação da câmera na cena do baile, quando A Bela e a Fera dançam, estava pronta para o 3D", avaliza Newman.

Antigamente, para ressaltar os efeitos, os personagens viviam atirando coisas - objetos, mas também fazendo movimentos bruscos - para a câmera e o espectador. Isso é passado. "Para destacar a profundidade, não é preciso nada disso." Não foi preciso mudar nada em A Bela e a Fera para lhe dar nova roupagem. Newman diz - "Os pais são os grandes transmissores. Eles levam os filhos para que tenham a chance de conhecer seus clássicos na tela larga. E, ao fazê-lo, redescobrem a própria infância."

Já está quase pronta a conversão de A Pequena Sereia, mas Newman garante que no catálogo de clássicos da Disney muitos permanecerão intocados. "Branca de Neve, Pinóquio e Cinderela foram desenhados à mão e a digitalização, nesses casos, é mais complicada." Mas não é só isso. "É preciso respeitar também, e principalmente, as escolhas artísticas. Converter A Bela e a Fera não altera nada, mas no caso de Branca de Neve, ou de Cinderela, sim."

A pergunta que não quer calar. O que o velho Walt pensaria disso tudo? "Muita gente subestima o legado de Walt Disney, porque ele é sinônimo de cinema familiar, principalmente a partir da TV. Mas, no seu começo, ele foi um visionário que fez avançar não só a animação. Acho que ele estaria acompanhando tudo isso com muito entusiasmo." E Newman assinala - "Não se pode esquecer que ele foi um pioneiro radical. Ao criar a Disneylândia, o que fez senão recriar em escala real o mundo de fantasia do desenhos? E o que é isso senão projetar o público num 3D que virou real?". A Pixar, parceira da Disney, também converte seus clássicos. Depois de Toy Story, virão Nemo, Ratatouille. É todo um universo de criação artística que se transforma.

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