Hoje na TV, um raro drama de Woody Allen

Mia Farrow pode ter destruído sua carreira no desfecho do casamento com Woody Allen. Toda aquela roupa suja lavada em público, com acusações de abuso sexual, voltou-se contra ela, pois a carreira dele continuou muito bem e hoje, se ele não produz mais obras-primas, diverte com o humor sereno de comédias invariavelmente inteligentes. Criou-se até o mito de que Mia não era boa atriz e foi uma criação de Allen. Ela realmente interpretou os melhores filmes, mas é injusto depreciar Mia. No fim dos anos 1960 e início dos 70, ela mostrou que era ótima em filmes como O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski; Cerimônia Secreta, de Joseph Losey; e John e Mary, de Peter Yates.Uma das atrações de hoje da TV paga, talvez a maior, reúne Allen e Mia na época em que tudo era lua-de-mel entre eles. Mas A Outra, que passa às 20h30 no Telecine Emotion, da Net/Sky, é um tanto atípico na obra do ator e diretor. É um daqueles filmes europeizados de Woody Allen, quando ele homenageava diretores como Ingmar Bergman e Federico Fellini. A Outra é bergmaniano, como Interiores (que ainda tem um quê de Michelangelo Antonioni).A Outra conta a história de escritora que se muda para apartamento vizinho ao consultório de uma psiquiatra. Por alguma falha no sistema de som, ela ouve o que dizem os pacientes e, a partir do que diz uma mulher, começa a repensar a própria vida. Allen fez um filme que discute identidade, alteridade. Os críticos não gostaram muito porque acharam o diretor sério demais. Pode até ser que tenham razão e A Outra não seja bom, mas por Mia e Gena Rowlands, que interpretam os papéis, e pelo próprio desenvolvimernto da carreira de Allen, é programa que vale conhecer, se não exatamente admirar (ou amar).

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