Hoje na TV, um olhar brasileiro sobre a Índia

O líder pacifista indiano Mahatma Gandhi desembarca em Londres numa manhã de inverno, nos anos 30. Com vestimentas leves, de algodão cru, destoa da multidão que o recebe com seus sobretudos e casacos. Prega a não-violência não só no discurso, mas nas vestes. São imagens raríssimas, em preto-e-branco, e que surgem no documentário Alma da Índia, uma produção 100% brasileira assinada pela DGT Filmes e que vai ao ar hoje, às 22 horas, no STV (Rede SescSenac de Televisão), com reprises diárias até o dia 10. Cinco minutos, ou o equivalente a 5% do tempo do documentário, apresentam cenas raras do líder indiano, obtidas graças a uma negociação com a Columbia Pictures, que as concedeu à produtora brasileira DGT Filmes.Em outro momento do documentário, mais de 70 anos depois, aparecem cenas coloridas de uma Índia dos últimos cinco anos, do presente, novo século, novo milênio, mas sempre em busca da purificação. Emerge da produção uma Índia que preserva seus rituais, religiosidade e, ao mesmo tempo, convive com comércio intenso, dedicação à cultura, vocação à pesquisa científica, e tem suas vielas repletas de peregrinos. O documentário apresenta imagens de rituais sagrados, como o festival Mahashivarati, em homenagem ao Deus Shiva, e também traz relatos de indianos, personalidades e anônimos, que abriram às portas da casa aos brasileiros. Dando voz a quem tem histórias simples e, por isso, extraordinárias, para contar. Aspecto aliás que é característico da produção do jornalista e escritor Sérgio Túlio Caldas, que assina roteiro e co-produção do documentário, e de Toni Nogueira, que captou imagens e assina a direção de fotografia.Um lugar para morrer - Ponto de destaque do filme é a cidade de Varanasi, uma das cidades mais antigas do mundo, que beija às margens do Rio Ganges, no norte da Índia, sagrado para o povo indiano. Também conhecida como Benares, detalha Túlio Caldas, a cidade é um dos mais importantes centros de peregrinação da Índia. Motivo: é lá, local batizado pelos fiéis de "cidades das luzes" ou aquela que ilumina o espírito, que os indianos querem morrer. Há pelo menos 2.500 anos, milhares de peregrinos rumam para Varanasi com a intenção de esperar a morte e serem cremados às margens das águas purificadoras do Ganges. Os hindus crêem que um simples banho nas águas do Rio Ganges é capaz de "lavar" os pecados das vidas passadas e também das futuras. Na mitologia indiana, observa Caldas, Varanais foi o local em que Shiva - um dos deuses mais incensados do panteão hindu - escolheu como sua morada na Terra.Na cidade de Sarnath, no passado visitada por Buda e foco da disseminação do budismo, nos é apresentada uma religião desconhecida e fora dos limites da Índia. Contemporânea do budismo e fundada pelo profeta Mahavira por volta do ano 500 a. C, o jainismo tem como lei o ahimsa, a total obediência à não-violência. Adotada há séculos por hindus, tal prática ficou internacionalmente famosa após ser adotada por Mahatma Gandhi nas lutas contra o imperialismo britânico na Índia, na primeira metada do século 20.

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