Hoje na TV, o cinema superlativo de Luchino Visconti

Luchino Visconti foi um daqueles artistas superlativos, cuja existência justifica, por si só, a existência do cinema. O entusiasmo, que a alguém (quem?) poderá parecer excessivo, fundamenta-se nas obras-primas que pavimentaram a carreira desse mestre. Visconti antecipou o neo-realismo com Obsessão, em 1942, e atingiu, com Rocco e Seus Irmãos, em 1960, o ápice daquilo que um teórico hoje relegado ao esquecimento, Georg Lukács, chamava de "realismo crítico". Ele recebe hoje a homenagem do Eurochannel, da TVA e DirecTV, que programou uma Noite Nostalgia dedicada ao grande diretor. Começa, às 22 horas, com A Terra Treme e prossegue com Sedução da Carne, à 0h45, para encerrar-se com Um Rosto na Noite, às 2h50.A Terra Treme prossegue a vertente do neo-realismo na obra viscontiana, mas a história de uma família de pescadores da Sicília é narrada com tanto requinte formal que muitos críticos acham que Visconti superpôs seu esteticismo ao credo estético do movimento que floresceu no cinema italiano, após a 2.ª Guerra Mundial. A Terra Treme é de 1947, situando-se entre dois marcos do neo-realismo: Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini, de 1945, e Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica, de 1948.Sedução da Carne, de 1954, marcou a ruptura do diretor com o neo-realismo tradicional, incorporando elementos do melodrama e da História (com H) ao narrar a degradação de uma aristocrata italiana que morre de amores por um desertor austríaco, durante o Risorgimento. Um Rosto na Noite, de 1957, baseia-se em Dostoievski (Noites Brancas). É um dos filmes mais discutidos de Visconti, mas não há o que discutir, você vai ver. Luchino, o aristocrata que fez do marxismo a opção estética e ideológica de sua vida, era grande, troppo grande, como gosta de dizer sua roteirista, Suso Cecchi D´Amico.

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