Hoje na TV, diversão e vaguarda do cinema brasileiro

O Canal Brasil, da Net/Sky, invade a madrugada exibindo dois títulos muito importantes do cinema brasileiro. Dois filmes radicalmente distintos: Carnaval Atlântida, de José Carlos Burle, é um dos marcos da chanchada carnavalesca dos anos 50. Passa à meia-noite. Às 4 horas, Fome de Amor, de Nelson Pereira dos Santos, também é um marco, mas em outro sentido. É o filme mais experimental de Nelson.Burle, um dos fundadores da Atlântida, alternou sua carreira entre a chanchada e os dramas sociais, sempre visando a comunicação com o grande público. A história do produtor que quer fazer um épico sobre Helena de Tróia e da dupla que busca financiamento para um filme carnavalesco oferece papéis sob medida para Oscarito e Grande Otelo. E na fusão do épico com a chanchada não deixam de estar embutidas idéias interessantes sobre a relação entre o cinema nacional e Hollywood.Fome de Amor é outra coisa. Nelson fez o filme em 1966, após Vidas Secas e El Justiceiro. Baseou-se num livro de Guilherme Figueiredo, transformando uma trama sobre quatro pessoas numa ilha - um pianista cego, um garçom mau-caráter e as mulheres de ambos - num filme cheio de indagações, estéticas e políticas. Fome de Amor ganhou o Prêmio Air France para o melhor filme do ano. Nelson foi o melhor diretor e Irene Stefânia, a melhor atriz. E Leila Diniz está presente. Precisa mais?

Agencia Estado,

25 de setembro de 2001 | 11h14

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