Hoje, Leila Baby no Teatro Cultura Inglesa

Relações destrutivas há aos montes por aí. Quem não conhece um casal - ou mesmo dois irmãos, ou ainda pai e filho - em que um deles faz tudo para que o outro se sinta inferiorizado, desvalorizado? Os motivos desse comportamento variam e só mesmo especialistas para avaliar o grau de insegurança envolvido nessas relações. De forma lúdica, e tragicômica, o espectador pode acompanhar a evolução de uma dessas estranhas relações na peça Leila Baby, que estréia amanhã no Teatro Cultura Inglesa de Pinheiros. Apaixonado por esse texto teatral - escrito por Mário Bortolotto na década de 80 -, Jairo Mattos dirige agora a segunda montagem da peça e ainda trabalha na sua adaptação para o cinema. "Há três anos venho batalhando pelo filme, já escrevi o roteiro", diz. Mattos foi quem sugeriu a realização do espetáculo ao ator Daniel Alvim, que buscava uma boa história, envolvendo dois personagens, para levar ao palco em companhia de sua mulher, a também atriz Mel Lisboa. Ela não pôde fazer, mas Daniel já havia se entusiasmado pelo projeto e Juliana Mesquita acabou completando o elenco. "Ambos são ótimos atores", garante Mattos. Juliana vive uma jovem que vem de Piracicaba para prestar vestibular para Jornalismo, em São Paulo. Enquanto se prepara para as provas, ela freqüenta um cursinho e mora num apartamento no centro, cujo aluguel é pago pelos pais. Daniel interpreta um sujeito meio largadão, um outsider, por quem ela se apaixona. Na verdade, tudo o que ele pede é um abrigo na casa dela e acaba recebendo muito mais, sem nada dar em troca. "Ele é um misógino, um desses homens que parecem muito machos, mas que na verdade odeiam mulheres." Ingênua, ela se deixa envolver, mas só o que ele quer é dormir e comer de graça." É um piolho. "E da pior espécie, porque é bonito, e isso faz dele um sujeito sedutor. Pior ainda, é um sujeito vazio, disfarçado sob um discurso de aparente profundidade." Enfim, o tal sujeito sai pontificando sobre tudo, reproduzindo frases lidas aqui e ali. E há quem o admire por isso. Frágil, conservadora, dependente dos pais financeira e afetivamente, Leila é a vítima perfeita. Fala com a mãe ao telefone pelo menos duas vezes ao dia. Tenta passar a imagem de "a enturmada", daquela que está íntima da metrópole, quando não passa de uma garota assustada. Por tudo isso, para ela, o interesse que despertou naquele sujeito aparentemente seguro funciona como um ´selo´ de aceitação. Que ela faz tudo para manter. Mas não será nada fácil. Afinal, tudo o que ele não possui é generosidade. E a todo momento ridiculariza os gostos e sentimentos dela. "Ela também não é exatamente uma garota interessante. Tem aquela risada frouxa, aquela alegria insuportável dos adolescentes. Máscara de adolescente. Se por um lado tem um frescor bacana, do outro tem essa falsa fortaleza que se desmonta ao menor sopro." E quanto mais ele mostra desprezo pelos gostos dela, mais ele cresce de importância aos olhos dela. "O problema é que ele destrói todas as crenças dela, uma a uma, sem colocar nada no lugar", diz Bortolotto. Leila Baby. 70 min. 16 anos. Teatro Cultura Inglesa.(100 lug.). R. Dep. Lacerda Franco, 333, Pinheiros, 3814-0100. 6.ª, 21h30; sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ R$ 20 (dom.). Até 7/5.

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