Hits grudentos com sabor de chuchu

A primeira atração que abre a temporada de shows internacionais em São Paulo condizia com o céu cinzento e a chuva incessante. Clima para ficar abraçadinho, música para não desgrudar. O grande trunfo do inglês James Blunt, apresentado na noite de anteontem, num Credicard Hall longe da sua lotação máxima, é a sua capacidade de produzir baladas grudentas, ao violão, e fazer com que sua voz seja bem recebida pelos apaixonados, mesmo que soe como um gato manhoso à procura de carinho.

O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h09

A fórmula deu mais do que certo, são 19 milhões de discos vendidos, mas ele parece seguir para uma outra direção, buscar mais guitarra e batidas mais agitadas, como se ouve em seu terceiro disco de estúdio, Some Kind of Trouble, de 2010. Tanto que optou pelas So Far Gone e Dangerous, ambas do álbum, para abrir o show iniciado pontualmente, às 22 horas. Antes de entrar no palco, ficou mais evidente com o hard rock do AC/DC, It's A Long Way To The Top (If You Wanna Rock 'n'Roll. De certo, causou o estranhamento em muita gente.

Foi a sua segunda passagem por aqui, mas a primeira como atração principal. Em 2009, ele abriu para Elton John. Desta vez, tinha o palco e o público para si.

Em estilo casual, com camiseta e cabelo bem aparado, ele é o exemplo máximo do rock lambuzado de bom-mocismo, sorridente, arriscando alguns "obrigado" e "boa noite, São Paulo". Correu bastante pelo palco e, veja só, até nadou sobre as mãos de um público animado em I'll Be Your Man, já no fim da apresentação, enquanto a banda improvisava algo que lembrava o R&B do Jackson Five. Em outro momento, em So Long, Jimmy, guitarras zeppelinianas são acrescentadas à sua voz aguda.

Por incrível que parece, seu hit suprassumo You're Beautiful não foi o ponto alto - talvez até seus fãs tenham se cansado. Goodbye My Lover, só em voz e piano, castigou os corações ali, seguida por High e Same Mistake, duas boas cartas que Blunt tem em seu repertório. Mas falta ao inglês sorridente um pouco mais de carisma. As letras e melodias grudam na cabeça e custam a sair, como um chiclete. Com sabor de chuchu.

Crítica: Pedro Antunes

JJJJ ÓTIMO

JJ REGULAR

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