Histórias e vivências na bagagem

Por onde passava, o Coletivo Teatral Sala Preta encenava a peça infantil O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio, de Thiago Cascabulho, sobre um peixinho cascudo que vive num rio poluído. "Adaptamos a peça para o espanhol. Toda a fronteira com a Colômbia é definida por rios, como Putumayo e San Gabriel", explica Bianco Marques.

Felipe Branco Cruz, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Na bagagem de volta, o grupo trouxe histórias e experiências. Uma delas ocorreu entre as localidades de Tulcán para Chical, percurso que eles fizeram em um caminhão do exército descendo dos Andes a uma altitude de 4.723 m acima do nível do mar. "A estrada margeava as montanhas e a roda do caminhão ficava perto da beira do penhasco", lembra Danilo Nardelli. Antes de entrarem no caminhão, o capitão ordenou ao motorista que não parasse em nenhuma hipótese. "A ordem não foi cumprida e com isso paramos em lugares belíssimos dos Andes", explica Marcelo Bravo.

Em cada cidade, eram recebidos com frutas e alimentos pela população. E entre os presentes ganharam três galinhas (uma delas batizada de Carmen Sancocho) que não tiveram coragem de matar. Os animais, então, passaram a viajar com eles no ônibus.

A parte mais difícil da viagem, no entanto, ficou reservada para a última cidade: Palma Real, que fica no meio de um rio e em cima de um mangue. "O mangue era repleto de excrementos humanos e de animais e lixo que os moradores jogavam. A população vive em palafitas e não existem ruas e sim pontes de madeiras que ligam as casas", lembra Rafael Crooz.

"Ficamos três dias lá. Era impossível dormir, porque no chão era o esgoto, no teto tinha ratos e no ar um bichinho, parecido com uma pulga, que atravessava o mosquiteiro e picava a gente a noite inteira." A localidade fica a 1h30 de barco da cidade mais próxima, San Lorenzo. Só há água potável durante 20 minutos por dia e energia elétrica de um gerador por apenas 5 horas por dia. "Ficamos dois dias sem banho o que aumentava ainda mais a voracidade do bichinho", recorda Danilo Nardelli.

O próximo passo do grupo agora é convidar todas as pessoas que eles conheceram no projeto Revuelta para virem ao Brasil realizar um programa semelhante no Rio de Janeiro. "A ideia é para 2011. Mas queremos trazê-los já em novembro", adianta. "Também precisamos de projetos como esse no Brasil."

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