Historiador Robert Darnton abre a oitava edição da Fliporto

No primeiro dia, festa literária de Pernambuco terá o blog discutido pelo norte-americano

ANTONIO GONÇALVES FILHO - O Estado de S.Paulo,

15 de novembro de 2012 | 02h13

Informação e autopublicação é o primeiro tema a ser discutido na oitava edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), que terá a participação do historiador norte-americano Robert Darnton, diretor da Biblioteca da Universidade Harvard e autor do recém-lançado O Diabo na Água Benta. A Fliporto será aberta hoje, às 19 horas, com recital da cantora Maria Bethânia. O encontro vai até domingo e tem entre seus convidados estrangeiros o francês Fréderic Martel, autor do livro Mainstream, o moçambicano Mia Couto e o angolano José Eduardo Agualusa. Entre os brasileiros participantes da Fliporto, que homenageia o centenário de nascimento do dramaturgo recifense Nelson Rodrigues (1912-1980), estão Ariano Suassuna e João Gilberto Noll.

O painel de abertura da Fliporto com a participação de Darnton tem particular importância num momento em que conglomerados da imprensa internacional optam por uma linha de jornalismo muito próxima dos libelos que circularam na França no século 18, combatentes do despótico governo da Revolução, mas frequentemente caluniosos. Darnton deve mostrar no painel que os blogs de hoje na internet não se diferenciam muito desses libelos, embora separados por uma história de dois séculos e meio e, naturalmente, pela tecnologia. Estará na mesma mesa o pesquisador brasileiro Sílvio Meira e o jornalista canadense Cory Doctorow, coeditor do blog Boing-Boing, autor de Pequeno Irmão e um dos principais defensores do copyleft (trocadilho de copyright por defender a difusão e modificação de obras).

Ancorada na homenagem a Nelson Rodrigues, a Fliporto organizou mesas temáticas sobre o teatro do dramaturgo brasileiro com a participação de cineastas, diretores de teatro, atrizes e seu biógrafo, o jornalista e escritor Ruy Castro. Entre os realizadores de cinema convidados, que adaptaram peças de Nelson Rodrigues, estão Braz Chediak (Bonitinha, Mas Ordinária) e Neville d'Almeida (A Dama do Lotação). A atriz Lucélia Santos, presente em alguns dos filmes baseados em Rodrigues, também estará na Fliporto.

O teatro será discutido ainda em dois outros painéis, amanhã, o primeiro dedicado ao diálogo entre os clássicos Sófocles e Shakespeare com a contemporaneidade, a cargo do professor João Cezar de Castro Rocha, colaborador do Sabático, que vai conversar com o tradutor Lawrence F. Pereira e a professora Kathrin Rosenfield. No segundo painel, a psicanalista Betty Milan explica as razões de Shakespeare ser um divisor de águas na história do teatro e analisa a atualidade de um personagem como Hamlet, antes da apresentação da peça A Vida É Um Teatro, de autoria da conferencista.

O dramaturgo paraibano Ariano Suassuna participa de duas mesas na Fliporto. Na primeira delas, amanhã, às 18h30, ele e Almeida Faria falam de utopia, messianismo e sebastianismo, analisando a ressonância da lenda do desaparecimento do rei português d. Sebastião (1554-1578) na batalha de Alcácer-Quibir (Marrocos), transformado numa figura messiânica destinada a retornar a Portugal em tempos difíceis. Suassuna fará também o encerramento da festa com uma aula-espetáculo.

Barry Miles, biógrafo de Jack Kerouac, de On the Road, vai conversar com o poeta e tradutor Carlos Figueiredo sobre poesia beat no último dia da Fliporto, em que Nelson Rodrigues volta a ser discutido em duas mesas: uma sobre o papel da mulher em suas peças e outra sobre as formas de encenar seus textos (pelo diretor Antonio Cadengue).

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