''História policial B'', diz o autor

Quando lançou Cabeça a Prêmio (Cosac Naify), em 2003, o escritor Marçal Aquino confessava que vivia um momento de transição: "Depois de escrever sobre a violência de O Invasor, pretendi falar de duas histórias de amor que se cruzam", disse ele, na época, durante a primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Aquino, aliás, caracterizava ironicamente o livro como "história policial B".

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

O motivo, segundo ele, é que, apesar da vertente policial, há também uma outra, a da relação amorosa. E, para isso, há mais de um casal na trama. Um é formado por um piloto de avião e pela filha de um traficante de drogas. O outro, por um matador que odeia a humanidade e por uma cafetina - curiosamente, eles jamais discutem o próprio passado.

Aquino definiu a violência como seu território ficcional a partir de Miss Danúbio (1994), mas não a tradicional dos livros policiais - como bem observa José Geraldo Couto no texto de apresentação, ele se localiza no grupo formado pela nata dos autores americanos do gênero (Dashiell Hammet, James M. Cain e Raymond Chandler), além de apresentar a concisão consagrada por Hemingway, detalhe, aliás, reforçado pela atividade de roteirista.

Curiosamente, Cabeça a Prêmio foi escrito antes de O Invasor, publicado primeiro.

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