História em águas abissais

O Código das Profundezas, de Roberto Lopes, traz à tona um capítulo das Malvinas

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2012 | 03h08

O CÓDIGO DAS

PROFUNDEZAS

Autor: Roberto Lopes

Editora: Civilização Brasileira

(280 págs., R$ 39,90)

ROBERTO GODOY

A guerra do Atlântico Sul, entre a Argentina e a Grã-Bretanha, pelo conjunto de 700 ilhas, as Falklands/Malvinas, é o cenário do excelente O Código das Profundezas, de Roberto Lopes, jornalista e historiador. Excelente acima de tudo por não ser apenas jornalismo e história.

O conflito, que completou 30 anos, está longe de ser totalmente compreendido e analisado. Ainda há interesses sensíveis a serem preservados - ou a Inglaterra não teria posto sobre determinados documentos um sinete que só poderá ser rompido depois de 2060.

Lopes retira do oceano de águas frias que cerca as ilhas a fatia da história que envolve submarinistas argentinos, seus navios - que representavam o melhor da tecnologia alemã - e os sucessivos erros que impediram sua utilização efetiva. Os submarinos poderiam ter alterado, se não o resultado, ao menos os rumos da disputa. No fim, as tripulações puderam comemorar tão somente o fato de terem sobrevivido.

O livro pode ser lido como um thriller de Tom Clancy , o autor de A Caçada ao Outubro Vermelho (Record), sem prejuízo de suas virtudes de documento de referência. A saga de combate do pessoal a bordo de submarinos em péssimas condições de manutenção, armados com torpedos irregulares e computadores defeituosos prende a atenção mesmo de um leitor distante daquele universo, na combinação de texto bem construído e solidez de pesquisa.

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