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História e músicas de 'Roque Santeiro' serão tema da noite 'Entrevista Aberta'

Laura Mattos fala das censuras sofridas pelo autor Dias Gomes nos bastidores do maior fenômeno entre as telenovelas brasileiras, retratadas em seu recente livro 'Herói Mutilado', e Patrícia Bastos canta com o violonista Norberto Vinhas a consagrada trilha sonora

O Estado de S.Paulo, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2019 | 06h00

Perto de completar 35 anos de sua conturbada e histórica exibição – o primeiro capítulo foi ao ar em 24 de junho de 1985 – a novela Roque Santeiro será tema da segunda edição da noite Entrevista Aberta, apresentada pelo jornalista do Estadão Julio Maria. Na primeira parte, a também jornalista Laura Mattos responde a perguntas sobre seu livro Herói Mutilado – Roque Santeiro e Os Bastidores da Censura à TV na Ditadura, lançado recentemente pela editora Companhia das Letras. Na sequência, a cantora Patricia Bastos e o violonista Norberto Vinhas trazem todo o repertório consagrado pela trilha sonora da novela, com canções como Mistérios da Meia-Noite, de Zé Ramalho; Roque Santeiro e Dona, de Sá e Guarabyra De Volta pro Aconhego, de Dominguinhos e Nando Cordel; e Coração Aprendiz, cantada por Fafá de BelémO evento será na próxima segunda-feira (9), às 20h30, na casa de shows Bona, em Pinheiros.

O Brasil não imaginava, e muitos ainda não sabem, o quanto foi difícil para que os capítulos escritos por Dias Gomes, com colaboração de Aguinaldo Silva, fossem ao ar em horário nobre da Globo. Uma verdadeira saga paralela vivida pelo autor e pelos diretores da emissora fizeram de Roque um símbolo de resistência contra a ditadura instalada desde 1964.

Tudo começou 20 anos antes, com a peça O Berço do Herói, escrita por Gomes, então dramaturgo e integrante do Partido Comunista. Apesar de estar inserida em um contexto político recente, o regime militar completava apenas um ano, a peça não pode ser encenada por decisão da censura. Dez anos depois, em 1975, o autor uniu-se a Aguinaldo Silva, já na Globo, para tentar enganar os censores reescrevendo o texto e adaptando-o para a TV. Uma ligação interceptada pelos militares, no entanto, instigou a vingança. Dias Gomes falava com um interlocutor sobre a decisão de burlar o regime sem saber que estava sendo espionado. Os militares deixaram que a produção seguisse até o dia da estreia, quando a emissora recebeu um ofício do Departamento de Ordem Política e Social decretando a nova censura horas antes da exibição do primeiro capítulo.

Mais dez anos foram preciso até que a Globo tentasse mais uma vez revisitar a saga de Roque Santeiro. Dias sentiu o clima da abertura em 1985 e a Globo chamou alguns atores da primeira versão de volta (apenas Lima Duarte aceitou) para refilmar os 36 capítulos que haviam sido registrados dez anos antes e filmar novos, mas as tesouras dos censores não deixaram de atuar.

Laura Mattos faz um grande trabalho mergulho na trajetória das três censuras analisando cartas, cerca de duas mil páginas de documentos secretos e um diário de Dias Gomes, morto em 1999, mantido inédito até ser revelado pela autora.

ROQUE SANTEIRO.

ENTREVISTA ABERTA COM LAURA MATTOS E SHOW DA CANTORA PATRÍCIA BASTOS.

APRESENTAÇÃO DE JULIO MARIA. SEGUNDA (DIA 9), ÀS 20H30. BONA. RUA ÁLVARO ANES, 43. R$ 40

 

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