História do francês chega ao 26.º volume

A história da língua francesa nos últimos 55 anos acaba de ganhar 1.028 páginas. Publicado pela CNRS Éditions, o volume é o 26.º de um projeto iniciado em 1903 pelo gramático Ferdinand Brunot.Tanto tempo de existência não faz dessa história, no entanto, um elogio da tradição. Brunot já era um sarcástico crítico dos puristas da Academia Francesa, e o volume 26 da Histoire de la Langue Française (que custa cerca de R$ 120), dirigido por Gérald Antoine e Bernard Cerquiglini, procura relacionar e entender as mudanças que o francês passou de 1945 a 2000 - porque a França se tornou foco de imigração africana, portuguesa e espanhola, mas também porque o país se urbanizou, o número de operários diminuiu, a religião perdeu importância, etc."Nunca o francês foi tão falado, tanto na França quanto no exterior", afirmou o lingüista Cerquiglini ao jornal parisiense Libération. Ele dirige o Instituto Nacional da Língua Francesa, responsável por um cuidadoso estudo sobre a situação das línguas regionais da França, como o provençal e o catalão. "Hoje, todo mundo na França fala pelo menos o francês; aquela avó que só falava o bretão desapareceu", disse.Cerquiglini admite que a língua, atualmente, não é um objeto de desejo, como já foi no passado. No entanto, ele não tem nenhum temor quanto à "contaminação" pelo inglês. "Até 1950, era o italiano a língua que fornecia mais palavras para o francês, antes de ser suplantado pelo inglês." Muitos dos italianismos se foram quando a moda passou, outros ficaram e foram incorporados.Um dos estudos do livro, assinado pelo lingüista Fernand Carton, procura estudar a acentuação do francês. A língua é uma exceção entre as outras línguas européias, por causa da elevada proporção de palavras oxítonas (com acento na última sílaba). Para Carton, há uma tendência de os franceses acentuarem menos essas últimas sílabas das palavras, fato que seria indicado, entre outras coisas, pelo rap francês - e cita um verso de MC Solaar.Carton também utiliza exemplos retirados do filme O Ódio (1985), de Mathieu Kassovitz, e de entrevistas para a TV, uma delas concedida pela atriz Fanny Ardant. Segundo o lingüista, para saber se uma nova pronúncia vai durar ou se ela é apenas passageira, é preciso escutar as mulheres. Isso porque a experiência com todas as línguas mostraria que, quando muitas variantes de uma pronúncia concorrem, é aquela adotada pelas mulheres que acaba por vencer a disputa.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2001 | 16h07

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