Marco Caselli Nirmal/Divulgação
Marco Caselli Nirmal/Divulgação

História de uma vida nos passos de Cédric Andrieux

Trajetória, mestres que o influenciaram e trechos de suas obras estão em espetáculo que estreia na próxima semana

Helena Katz, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

Cédric Andrieux tem uma sólida carreira internacional como bailarino, mas é pouco conhecido no Brasil. Jerôme Bel, um pop star da dança, vem fortalecendo laços com a dança brasileira desde os anos 90. Um trabalho que reúne ambos estreia no Sesc Belenzinho nos dias 26 e 27. Trata-se de Cédric Andrieux (2009), a penúltima das peças biográficas que Jerôme Bel vem produzindo.

Jerôme começou a fazer esse tipo de obra em 2004, estimulado por um convite da Ópera de Paris, e agora já coleciona seis delas. Na primeira, escolheu trabalhar com Veronique Doisneau e com ela iniciou o que prefere chamar de "monólogos", e não de solos de dança. Entre Veronique Doisneau (2004) e Cédric Andrieux (2009), produziu mais três: Pichet Klunchun and Myself (2005), Isabel Torres (2005), para a bailarina Isabel Torres do Municipal do Rio, e Lutz Foerster (2009), com um dos mais reconhecidos bailarinos da companhia de Pina Bausch. E, depois, criou 3Abschield (2010) para Anne Teresa de Keersmaeker e Sara Fulgoni.

Cédric Andrieux começou com 12 anos, em Brest, na França, e se formou no Conservatório de Paris com distinção máxima. Foi para NY, onde dançou por um ano na companhia de Jennifer Muller e oito anos na Merce Cunningham Company. Desde julho de 2007, está no Lyon Opera Ballet. Foi lá, durante a montagem que Jerôme comandava de The Show Must Go on, em setembro de 2007, que eles se encontraram.

Nesta autobiografia, Cédric conta dos coreógrafos que o marcaram, dançando trechos de suas obras. The Show Must Go on está incluída, ao lado de Newark, de Trisha Brown; Biped e Suite for 5, de Merce Cunningham; e Nuit Fragile, de Philippe Tréhet. Para montar Merce Cunningham, foi ensaiado por Jeanne Steele, e para o trecho de Trisha Brown, por Lance Gries.

Cédric conta ainda da sua fascinação, ainda criança, pelo filme Fame (1980) sobre escola de artes cênicas em NY, que ganhou dois Oscars e teve remake em 2009. Para ele, o Conservatório no qual estudava era uma versão parisiense daquele ambiente.

A qualidade da dança de Cédric roteiriza o espetáculo com um tipo de conhecimento do seu métier que distingue intérpretes como ele. Para o público, é a oportunidade para conhecer a rotina, os bastidores e também a potência da dança.

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