História contada por imagens

Projeto Um Olhar Sobre o Brasil reúne 400 cenas em livro e mostra que abre hoje, no Instituto Tomie Ohtake

SIMONETTA PERSICHETTI, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h06

A partir da exposição Um Olhar Sobre o Brasil, a fotografia também se torna protagonista na narrativa da história brasileira. Um olhar - entre os muitos possíveis - que conta a formação da nossa identidade por meio de imagens. Foram 3 anos e meio de pesquisa, um garimpo meticuloso nos arquivos públicos e privados, um trabalho minucioso da antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz e do historiador da fotografia brasileira Boris Kossoy.

O desafio seria narrar a construção do Brasil por meio de imagens. O resultado é uma exposição de 400 imagens e um livro que serão lançados hoje, no Instituto Tomie Ohtake. Este projeto e livro fazem parte da coleção da editora Objetiva em parceria com a Fundação Mafre, História de Um Brasil Nação 1808-2010. Neste volume, o sexto da coleção, a tônica é a fotografia.

Por meio das imagens, a história do Brasil é narrada desde a invenção isolada da fotografia no País (e tardiamente conhecida) por Hercules Florence em 1833, a chegada da fotografia ao Brasil em 1840 no Rio até o século 21. São 400 registros que criam um percurso nos momentos chaves na história brasileira. "Uma história cultural do Brasil através das imagens", conta o historiador Boris Kossoy. Para montar a exposição e a história narrativa do livro, os curadores criaram antes de mais nada um conceito e eixos temáticos como política, sociedade, cultura e arte e paisagem (urbana, rural e natural). Eixos estes que se repetem nos 180 anos da história da fotografia. Momentos de registro, de interpretação de mundo, instantes que foram marcados para criar a nossa identidade. O Brasil da Regência, do Império e da República. A chegada da fotografia no Brasil - que segundo os historiadores foi o primeiro país da América Latina a divulgar o novo invento em janeiro de 1840 até a fotografia do século 21. Um passeio pela construção imagética da sociedade por meio de fotografias. "Os eixos temáticos se repetem a cada período da nossa História", lembra Boris.

Para uma melhor compreensão até didática, a exposição foi dividida em períodos que perpassam a formação de nossa identidade de 1833 até 2003. São as luzes do Império, a transformação republicana, a ditadura militar e o renascer ou reacender das luzes numa sociedade democrática.

A partir desta exposição, a fotografia passa a integrar de vez a história como fonte primária, como documento de uma época, narrado em ordem cronológica, mas sem afirmativas, uma possibilidade de história. O conhecimento que chega até nós, não apenas pela imagem mental do passado, mas pelas representações visuais que foram criadas.

A estética como criadora de discurso, o iconológico - ou seja as significações da imagem como uma maneira de nos aproximarem da história narrada. Imagens síntese que nos ajudam a compreender a criação da nossa identidade. A fotografia que se insere de forma fundamental na história da cultura. Inúmeras facetas, narrativas e possibilidades que nos ajudam a compreender o que somos. Cada imagem nos é apresentada, não apenas com uma mera legenda, mas com uma micro-história que nos ajuda a compreender o momento narrativo. Um olhar sobre o Brasil nos ajuda a refletir e a entender quem somos e como nos constituímos como nação. Uma exposição que não fecha, mas abre para inúmeras possibilidades de entendermos a história por meio da imagem.

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