Hipocrisias da ética burguesa

Trágica Separação (distribuição Lume) é um filme menos conhecido do grande Claude Chabrol, morto em 2010. Chabrol é, dos integrantes do grupo da nouvelle vague (Truffaut, Godard, etc.), o que primeiro chegou à direção de longas, estreando com Nas Garras do Vício, em 1958.

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h07

Sem ser workaholic (ele se divertia muito), Chabrol trabalhou sempre em ritmo intenso. Um filme ou mais por ano. Já tinha vários no currículo quando fez este Trágica Separação, em 1970. Um drama e tanto. Basicamente, é a história de uma mãe, Hélène (Stéphane Audran) que protege seu filho do marido desequilibrado. Acontece que o rapaz vem de uma família rica, que deseja a guarda da criança e tudo fará para obtê-la. Tudo mesmo.

Bem, Chabrol, como sabem os cinéfilos, é um refinado observador dos estratos ditos superiores da sociedade. Sempre foi e esse gosto o acompanhou ao longo da vida - um dos seus últimos filmes é A Comédia do Poder (L'Ivresse du Pouvoir), exatamente sobre essa temática.

Em Trágica Separação, Chabrol investiga essa concepção muito particular da ética, segundo a qual os meios não importam muito, e sim os fins a serem alcançados. Tudo isso com a grande agudeza de percepção que sempre o caracterizou. Sem perder a noção do espetáculo, conduz a trama como um thriller. Stéphane Audran está soberba como a sofrida e corajosa Hélène. / L.Z.O.

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