Hip Hop de câmara vai ao museu

As fronteiras do hip hop instrumental contemporâneo são difíceis de mapear. A música anda em constante transformação antropofágica, recebendo influências que vão de harmonias jazzísticas a composição erudita à noise music - todas filtradas, distorcidas e reorganizadas em combinações infinitas por softwares de produção musical.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2010 | 00h00

O centro da cena é Los Angeles, onde artistas como o brilhante Flying Lotus, seu pupilo Samiyam e o não menos importante DJ e produtor Nosaj Thing, que se apresenta hoje e amanhã no Museu da Imagem e do Som (MIS), encabeçam um movimento de criatividade ímpar.

Enquanto Flying Lotus é conhecido por seus mosaicos frenéticos, em que os elementos sonoros se assemelham a um formigueiro endoidecido, Nosaj traz um conceito quase oposto: sua música prima pelo controle e a organização do panorama sonoro. Em seu excelente disco Drift, de 2009, o produtor equilibra, com a técnica de um mestre em orquestração, texturas ríspidas e bojudas com melodias que remetem ao erudito.

Percussão erudita. O resultado é hipnotizante, as composições estruturadas como obras eruditas em que figuras rítmicas são submergidas e reintroduzidas com atenção à lógica final da peça. "Eu comecei a tocar quando era moleque", conta Nosaj ao Estado. "Aprendi clarinete, saxofone e, quando cheguei ao colegial, percussão erudita, que é um gênero complexo e bem estruturado.|"

O MIS fica na Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo. O telefone para mais informações é 2117 4777.

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