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Hip-hop brasileiro de volta ao País

Após estrear espetáculo na Europa, Grupo de Rua faz uma de suas raras apresentações em São Paulo

Helena Katz - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2013 | 20h23

O título já nos aproxima do contexto: Crackz. Estreado em Bruxelas, em maio, no KunstenFestivaldesArts, apresenta-se no Teatro Alfa sábado, às 20h, e domingo, às 18h. Quem se interessa por hip-hop vai encontrar material de primeira para refletir sobre esse ambiente, e quem se preocupa com política cultural também. Afinal, o Grupo de Rua que Bruno Beltrão dirige e coreografa, e que conta com 13 bailarinos, quase não dança no Brasil. H3, sua última peça, criada em 2008, foi apresentada 108 vezes na Europa, 32 nos Estados Unidos, 17 na América do Sul (sendo 14 no Brasil) e nove na Ásia.

O Grupo de Rua tem uma história diferenciada, que começou em 1996, quando Bruno Beltrão e Rodrigo Bernardi criaram, com seus amigos dançarinos de break, na cidade onde moravam, o Grupo de Rua de Niterói. Quatro anos depois, Bruno entrou na Faculdade de Dança, começou a estudar filosofia e, a partir daí, o que fazia se transformou. Em 2001, quando montou Do Popping ao Pop no Rio de Janeiro, chamou a atenção. Não demorou para ser lançado no circuito internacional que, desde então, não parou de crescer.

Bruno comenta que, desde 2002, o grupo existe graças a este circuito internacional. “Difícil entender termos coprodução, por exemplo, de quatro cidades alemãs (Berlim, Dresden, Hamburgo e Essen) e nenhum interesse em saber o que estamos fazendo na nossa própria cidade. Isso não é uma questão econômica apenas. Por aqui, o que fazemos não tem relevância, não gera interesse, por mais esforço que façamos”, questiona.

Se em H2 a companhia teve cinco coprodutores, em H3 o número subiu para seis e, agora, são 13. A rede tem crescido a ponto de Bruno ouvir propostas de coprodução ao final de suas apresentações. “Recebo comentários do tipo: ‘Estamos com vocês independentemente do que fizerem no próximo projeto’.  E é claro que é mais interessante receber convites do que se inscrever num edital. No edital, preciso provar que sou alguém, duvidam de mim dos pés à cabeça e, na prática, não há relação interessada com o nosso trabalho”, afirma.

A sua relação com a cultura do hip-hop, ele conta, vem se transformando. Quando adolescente, Bruno vivia nela imerso – “trabalhava por ela, acreditava”. Porém, por ter escolhido seguir um caminho de invenção e por, como diz, precisar questionar e problematizar aquilo que praticava e “não seguir o protocolo, passamos, com o tempo, a ser visto como estranhos, até mesmo uma piada. Por alguns, não todos. Sabe o Willyan Martins? Aquele artista que descola grafites da rua e expõe na galeria como seu usando técnica de arqueologia? Acho que ele toca no assunto de forma contundente”.

Mesmo recebendo propostas para mudar, o corógrafo diz querer se dedicar à cena local. “Nosso trabalho, mais do que nunca, é aqui. Recebemos apoio de lá, estamos muito fora, mas o nosso trabalho crucial é aqui. Dedicamos a vida que temos para tentar criar algo relevante”.

GRUPO DE RUA

Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000. Sáb., 20 h; dom., 18 h. R$ 40/ R$ 80.

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