Heróis luta contra corrupção

Terceira temporada de Força Tarefa exibe um novo uso da iluminação

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2012 | 03h08

Séries policiais habitualmente trazem cenas de muita ação e violência física, além de oficiais com a emoção à flor da pele. Já Força Tarefa, exibida pela Globo, aposta em outra vertente: a do uso da inteligência para solucionar o caso. Decisão acertada de seus roteiristas Marçal Aquino e Fernando Bonassi, que já escreveram episódios para três temporadas - e o último acaba de sair em DVD, pela Globo Marcas.

O diferencial está no foco: Murilo Benício e Milton Gonçalves vivem o capitão Wilson e o coronel Caetano que compõem, com outros colegas, a corregedoria, ou seja, a polícia que investiga os abusos da polícia. Juntos, buscam detectar crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, etc. Formam, assim, uma tropa de elite que dignifica a imagem da corporação. Responsável pela direção da série, José Alvarenga Jr. respondeu às seguintes questões.

Essa terceira temporada mostra como é importante o uso da luz para narrar uma história. Comente a importância desse detalhe técnico.

O gênero policial prima pelo clima. O que está visível e o que não está. É dessa tensão entre claros (visível) e escuros (escondido) que se estabelece o clima. Daí o investimento permanente na qualidade fotográfica das cenas. Nesta terceira temporada foi convidado um craque da luz que é o Lula Carvalho (fotógrafo de 'Tropa de Elite') e que agora está nos EUA fotografando o novo Robocop.

Por que os policiais de Força Tarefa parecem agir de forma diferente de seus colegas da vida real, que apelam primeiro para a força?

Desde o início do programa fizemos uma aposta clara que a saída para uma qualificação melhor da polícia passa por um investimento na inteligência em detrimento da política do confronto. Hoje, vemos que a polícia real através de uma política de segurança esclarecida começa a trilhar esse caminho.

Tramas policiais atingiram uma sofisticação dramatúrgica atualmente na TV brasileira - basta lembrar o sequestro de Carminha, em Avenida Brasil, entre outros exemplos. A que você atribui isso? Seria alguma influência das séries policiais americanas?

O cinema americano e as séries americanas são sempre referências fortes. O que tem mudado é que hoje temos um barateamento do equipamento visual que nos proporciona investir com qualidade na construção das cenas e por isso elas não ficam com uma qualidade tão distante dos programas estrangeiros. Hoje, um autor escreve cenas sabendo que serão bem realizadas. Não há inibição para a criação.

Você acredita na existência de um parentesco entre uma trama de suspense e a psicanálise, no sentido em que há sempre, em ambas, uma verdade encoberta a ser desvendada?

Muito. Assim como na psicanálise, há no gênero policial muitos níveis de acesso para a compreensão de uma verdade. Jogos se estabelecem nessas procuras. Verdades e mentiras são provisórias. Tanto na psicanálise como na investigação policial o caminho para verdade nunca é em linha reta.

Você é fã de literatura policial? De alguma forma, ela o ajuda em seu trabalho de direção?

Sou. Leio pelo menos um livro policial por mês. Adoro participar dos "jogos propostos". Compor uma boa trama com reviravoltas críveis e surpreendentes é um legado que a literatura policial oferece para dramaturgia visual.

A interpretação dos atores prima pela discrição. Você poderia comentar essa opção?

Meu estilo na direção de atores é trabalhar num registro preciso e bem marcado. Não há excessos na interpretação. Sou um diretor que gosta de ver um ator não perceber a própria atuação. No gênero policial, tal rigor é necessário para que as cenas tenham a intensidade e a temperatura certas para o bom desenvolvimento da história.

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