Heróis dos mangás serão embaixadores culturais do Japão

Os heróis dos mangá e anime, as populares histórias em quadrinhos e desenhos animados "made in Japan", vão socorrer a diplomacia nipônica e devolver um brilho ao Japão numa turnê pelo mundo. Trata-se de uma original iniciativa de Tóquio e do ministro japonês das Relações Exteriores, Taro Aso, grande fã dos quadrinhos, que pensou em ter como embaixadores do Japão nas "trincheiras" internacionais figuras como Doraemon, Hello Kitty e Totoro, aproveitando o grande sucesso da cultura popular nipônica em todo o mundo. Segundo o chefe do serviço diplomático japonês, não há nada que possa concentrar a atenção do mundo inteiro no Japão melhor que os mangá, anime e até a música pop japonesa (ou "J-pop", como é conhecida no Japão e no exterior) e a cultura de rua nascente no arquipélago, verdadeiros ícones culturais capazes de conquistar hoje, e muito mais no futuro, um crescente número de curiosos e aficionados. Se a missão tem um caráter jocoso e alegre, não será tão divertido para a formação do novo corpo diplomático: funcionários terão de estudar dedicadamente os quadrinhos e desenhos animados escolhidos pessoalmente pelo chanceler, com a lição de entender as peculiaridades que tornam o gênero um sucesso global. Para Aso, será "um aquecimento para o conhecimento" para velhos funcionários de um tempo já enegrecido pelo tempo, que desconhecem o potencial diplomático e comunicativo por trás da cultura popular dos tempos modernos. Heróis embaixadores Os observadores mais maldosos, porém, vêem a iniciativa do ministro das Relações Exteriores como um involuntário reconhecimento da fraqueza da política internacional recentemente levada a cabo pelo Japão. Ultimamente, a diplomacia nipônica tem se encontrado cada vez mais isolada em posições críticas (a começar pela crise norte-coreana) e teve de lidar com relações deterioradas com seus vizinhos na Ásia em questões históricas nunca resolvidas. Outro recente golpe à imagem pacifista do arquipélago surgiu de declarações de alguns políticos do primeiro escalão, entre eles o próprio Aso, que iniciou a discussão sobre armas nucleares no Japão, o único país do mundo a ter sofrido um ataque atômico. A idéia de ter como embaixadores culturais os heróis dos quadrinhos e desenhos animados é uma tentativa de restaurar essa imagem. Os personagens oníricos de Hayo Miyazaki e o gato azul Doraemon podem ajudar na tarefa árdua de apagar os passos em falso de alguns de seus colegas de carne e osso no serviço diplomático.

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