Heróis do rock inspiram gibis

Heróis do rock inspiram gibis

Controversas, as revistas retornam ao mercado dos EUA com biografias nem sempre autorizadas das bandas

Steve Jones, USA Today, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2010 | 00h00

Os Rock "N" Roll Comics, que no início dos anos 1990 abriram as cortinas para exibir o estilo de vida de astros do rock, estão voltando. As revistas em quadrinhos, que registravam as carreiras de músicos populares e por vezes provocavam controvérsias, estão sendo reembaladas como graphic novels.

A Bluewater Productions, uma editora baseada em Vancouver, Estado de Washington, mais conhecida por sua extensa linha de quadrinhos biográficos sobre celebridades, políticos e figuras históricas, juntou-se à Revolutionary Comics, criadora das biografias do rock.

The Beatles Experience, com quase 300 páginas, lançada em fevereiro, reúne os oito números originais sobre os Fab Four numa edição encadernada. A próxima será Hard Rock Heroes, em 13 de abril, que apresenta as histórias de Gun N"Roses, AC/DC, Black Sabbath/Ozzy Osbourne, Van Halen e Anthrax, mais 40 páginas inéditas sobre o Metallica.

Números futuros chegarão numa base quinzenal. Pink Floyd (maio), Joan Jett (junho), Led Zeppelin (julho), The Seventies: A Rock Patheon (novembro), e The Elvis Presley Experience (dezembro) estão programadas. As graphic novels são vendidas por US$ 17,99 e exibirão uma arte de capa e prefácios escritos por críticos musicais e artistas.

A série Female Force, da Bluewater, que se concentrou em Sarah Palin, Hillary Clinton, Caroline Kennedy e Michelle Obama, atraiu a atenção do ex-editor administrativo da Revolutionary, Jay Allen Sanford.

"Estávamos prestes a entrar nas graphic novels, e eu perguntei se ele queria fazer algo do gênero", diz o publisher da Bluewater, Darren Davis.

A Revolutionary publicou suas biografias não autorizadas de 1989 a 1994. Nem todos os músicos foram receptivos: o grupo New Kids on the Block perdeu uma ação por violação de marca contra a companhia numa decisão de 1990 que deu aos quadrinhos as mesmas proteções concedidas a outras biografias.

"Eles meio que abriram caminho para nós", diz Davis, referindo-se às proteções da Primeira Emenda conseguidas com as ações. "Estou feliz por eles terem feito todo o trabalho de campo." Um documentário de 2005, Unauthorized and Proud of It: Todd Loren"s Rock "N" Roll Comics, narrou a história da companhia. O fundador e publisher Loren foi assassinado em 1992, e a companhia parou a publicação dois anos depois.

Os quadrinhos surgiram numa época em que detalhes das vidas de roqueiros não eram acessíveis, lembra Kiel Phegley, editor de notícias do site comicbookresources.com.

"No fim dos anos 90, a necessidade das Rock "N" Comics havia sido suplantada por coisas como Behind the Music (do canal VH1), afirma Phegley. "Algumas bandas foram exceção, permitindo que seus detalhes sórdidos fossem impressos em preto e branco com desenhos e narração." / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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