Herói exagerado, parceira drogada

Filme que Tom Cruise e Cameron Diaz vieram divulgar no Brasil terá sessões especiais no fim de semana

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2010 | 00h00

Cameron e Cruise. No limite do surrealismo, filme é para ver sem vergonha nem culpa

 

 

Em mau português - tropeçando no R, como fazem os gringos, quando dizem "obrigado" -, Tom Cruise afirmou terça-feira à noite, no tapete vermelho de Encontro Explosivo, no Rio, que Cameron Diaz e ele fizeram o filme "para vocês" (o público). E acrescentou - "Esperamos que gostem." A se julgar pela plateia de convidados, o filme de aventuras de James Mangold poderá estourar na bilheteria no País. As pessoas ovacionaram Encontro Explosivo no desfecho, mas pode ter sido somente o efeito Tom Cruise (ao vivo, no palco do VivaRio) ou então um agradecimento à pipoca e ao refrigerante grátis que a distribuidora Fox liberou durante a sessão.

Antes do filme, propriamente dito, o tapete vermelho. Como Tom Cruise e Cameron Diaz não deram entrevista - nem coletiva - no Rio, a imprensa foi toda para o red carpet, no corpo a corpo por alguma declaração bombástica. Lá dentro, o público teve de esperar pacientemente, por mais de uma hora e meia, pelo início da projeção, mas era possível acompanhar os lances lá fora pelo telão. A dona da noite foi Sabrina Sato, do Pânico na TV. Talvez por não dominar o inglês - ou para fazer gênero -, ela levou cola com as perguntas que deveria fazer ao astro. Como não havia som, não deu para descobrir como nem por que (problema de pronúncia?) Sabrina não se fazia entender e o sorridente Mr. Cruise começou a se adiantar para conferir, ele próprio, as perguntas que deveria responder.

Foi hilário, mas, astutamente, aproveitando o clima, a apresentadora presenteou Tom Cruise com uma vuvuzela e fez com que ele dançasse diante de sua câmera. Foi o momento Pânico na TV da pré-estreia. E vamos ao filme, que estará em cartaz a partir de hoje, na última sessão diária de salas de todo o Brasil. Encontro Explosivo - Knight and Day, no original - foi recebido a pedradas nos EUA. Muita gente chega a se perguntar se Tom Cruise não estará em fim de carreira, repetindo, no limite da paródia, a série Missão Impossível, que fez a sério (e com tão bom resultado).

Na verdade, a lição que se tira de Encontro Explosivo é que a cientologia não impede o astro de rir de si mesmo. O filme é uma permanente brincadeira sobre a persona de Cruise, que radicaliza o modelito do herói. Na trama, ele faz um agente da CIA acusado do roubo de valioso protótipo, que pretende vender a criminosos. Na verdade, o vilão é o colega que o persegue e Cruise, para manter o protótipo a salvo, envolve Cameron na história.

O diretor Mangold leva sua ação ao limite do surrealismo. Nada é explicado e, em vários momentos, Cruise droga sua companheira quando uma grande ação está para acontecer. Quando Cameron recobra a consciência, a ação já houve e o filme está correndo adiante. Mangold tem filmes bem realistas no currículo (Johnny e June e Os Indomáveis), mas ele também ama as duplas (Kate e Leopold). Sua presença por trás das câmeras têm por objetivo manter os astros em terra, mesmo que seus personagens pareçam o tempo todo no ar. Encontro Explosivo é para se ver sem culpa nem nenhuma preocupação com a verossimilhança.

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