Herói e amante de botas

Antonio Banderas e Salma Hayek falam da nova animação de Chris Miller

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2011 | 03h07

Salma Hayek e Antonio Banderas estão na estrada há dias. Cidade do México, Buenos Aires, Rio. E, partindo do Brasil, Paris, Barcelona, Roma. Muitas entrevistas para promover O Gato de Botas, animação de Chris Miller na qual fazem as vozes dos protagonistas. O filme estreia dia 9 no Brasil. Banderas é o próprio Gato de Botas. Salma é a gatinha protofeminista que aumenta os perigos do gato espadachim e também o salva. "Não é o que fazemos? Ser mais fortes do que os homens, mas dando a impressão de que somos frágeis e dependemos deles?" Salma pergunta, mas a entonação é de quem afirma.

Ela adorou ser chamada para o papel. "Creio que estou dando bom exemplo para todas as mulheres com minha personagem." Tanto Banderas quanto ela descartam que estejam só dublando as personagens. "O processo é bem mais criativo que isso", ele esclarece.

Banderas adora o personagem. "Ele possui características do Zorro e referências de pistoleiros de Sergio Leone. É um personagem completo. Amante, herói. " E explica que, no processo criativo de uma animação, o personagem, na verdade, antecipa o desenho.

"Salma e eu passamos por incontáveis sessões de gravação e de modelagem. Chris (Miller) nos incentivava a criar, improvisando os diálogos. E sobre os nossos gestos, a nossa fisicalidade, os desenhistas da DreamWorks iam modelando a dupla." A própria Salma acrescenta. "Sou de Vera Cruz (no México). Lá somos todos dançarinos. Talvez não seja tão grande quanto a gatita no filme, mas as cenas de dança foram muito gostosas de fazer." Que tal continuar encarnando a imagem da latina sexy? "Na minha idade? É lisonjeiro." Tantas vezes ela se refere à questão da idade que o repórter termina por interrompê-la. "Você fala como se fosse velha." "Mas sou! Nessa indústria! Quantos anos você acha que tenho? 45! Há muitas jovens buscando reconhecimento. Que me chamem porque ainda me acham gostosa, é coisa de envaidecer qualquer mulher."

Antonio Banderas acha que nunca vai se livrar da imagem de amante latino. "Fiz mais personagens gays do que qualquer outro ator, mas colaram em mim essa etiqueta do latino sexy. Vou ficar velhinho e ainda serei o amante latino", ele diz. Define o novo filme com Pedro Almodóvar, A Pele Que Habito, como talvez seu maior desafio como ator. "Pedro infernizou minha vida no set. Tinha vontade de esganá-lo. Só entendi o que queria quando vi o filme pronto. Eu próprio fiquei perturbado."

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