Herói candidato a cult, por Rodriguez

Concebido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez como homenagem aos velhos "explotation movies" (ou "programs"), o projeto Grindhouse não deu muito certo nos cinemas. Para início de conversa, os dois filmes foram separados e não tiveram muita repercussão nos cinemas. Mas a importância de À Prova de Morte e Planeta Terror é indiscutível na (r)evolução dos dois diretores. Em Cannes, no ano passado, Tarantino disse ao repórter que, sem À Prova de Morte, talvez não tivesse feito Bastardos Inglórios. Machete é decorrência de Planeta Terror na obra de Rodriguez.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2010 | 00h00

"É o melhor filme de Roberto", diz Danny Trejo numa entrevista por telefone. O ator mais bexiguento e com cara de mau de Hollywood ganha um papel sob medida - emblemático, como se diz. "Se Roberto não tivesse feito Machete eu o teria matado", ele acrescenta, rindo. Tudo começou quando Tarantino e Rodriguez criaram falsos trailers para acompanhar o projeto Grindhouse. O de Rodriguez, sobre um ex-policial mexicano que busca vingança contra os que armaram para ele - tiras norte-americanos corruptos e narcotraficantes -, fez tanto sucesso que os próprios distribuidores e exibidores começaram a cobrar do cineasta que fizesse o filme.

 

 

 

 

 

Trailer. trailer

Assista a trechos de Machete 

 

 

 

 

"Eu infernizei a vida de Roberto até que ele não aguentou mais e escreveu a história. Escreveu para mim. É o sonho de todo ator, um personagem talhado para a gente." Na trama de Machete, o tira Danny Trejo é vítima de uma emboscada. Destituído da polícia, ele ressurge como matador profissional. E vai se vingar do traficante aliado de senador ianque que constrói sua carreira por meio de palavras de ordem contra imigrantes mexicanos. Robert De Niro é quem faz o político. "Robert trabalhou o personagem no limite da caricatura. É uma coisa muito difícil. O próprio filme carrega nesse tom. Uma polegada a mais e seria excessivo. Acho que tudo o que Roberto fez antes foi meio que preparativo para dosar a ação de Machete."

O filme não é programa para todos os gostos, mas, como entretenimento barato, não poderia ser melhor. "As cenas de ação foram cansativas, mas muito divertidas de fazer", conta Trejo, que vem trabalhando com Rodriguez desde o começo de sua carreira. "O bacana é que Roberto fez um filme político sem se levar a sério. Isso é bem típico dele." A história envolve religião, policiais honestos, o sacrifício de um padre e um levante popular que assume ares de revolução. Rodriguez transforma seu protagonista numa espécie de Che mais bárbaro (e cercado de mulheres sensuais). Como proposta de novo herói de "exploitation", não poderia ser mais atraente. Mas, claro, é preciso ter o desprendimento de curtir o encanto dos bad movies. O sucesso tem sido tão grande que Trejo anuncia - "Roberto já escreveu o 2. Já lhe pedi para acelerar. Quero filmar logo."

MACHETE

Direção: Robert Rodriguez. Gênero: Ação (EUA/ 2010, 105 min.). Censura: 18 anos.

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