Herdeiros criticam governo alemão

Quadros encontrados em apartamento de colecionador são reclamados por parentes dos donos expropriados

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h16

Herdeiros de autores e colecionadores das obras de arte encontradas há algumas semanas no apartamento de Cornelius Gurlitt, que teriam sido expropriadas durante o regime nazista, criticam o governo alemão por não colaborar com familiares para retomarem a posse dos trabalhos. Foram encontrados mais de 1.400 quadros na cidade de Augsburgo, muitos deles podem ter sido expropriadas pelo regime de Hitler.

Nana Dix, neta do pintor Otto Dix, que teve algumas obras encontradas em Augsburgo, onde mora Gurlitt, disse que "a Alemanha, em geral, jamais se preocupou com problema das obras de arte confiscadas pelos nazistas".

Ela ainda defendeu que o governo deveria ter tomado uma atitude muito antes, ainda no pós-guerra. "Isso não aconteceu e agora estoura um escândalo gigantesco", finalizou.

O quadro Dois Cavaleiros na Praia, de Max Liebermann, também tem causado discórdia. O trabalho teria pertencido ao colecionador judeu David Friedmann, mas foi encontrado em 1945, com Hildebrand Gurlitt, pai de Cornelius, que assegurou às autoridades a propriedade da obra desde antes de 1933.

Até o momento, o fiscal encarregado do caso, anunciou que irá devolver boa parte da coleção à família Gurlitt - cerca de 300 peças, das quais não há dúvida quanto ao proprietário.

Para complicar o trabalho de devolução dos quadros, uma lei de 1938, que permitia confiscar obras "degeneradas", continua em vigor, segundo informou o The New York Times. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal, anular a lei cancelaria diversas transações que foram realizadas no mercado de arte.

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