Herdeiro foi militar nos EUA

Nasceu no Rio de Janeiro e, aos 18 anos, seguiu com o pai e a mãe, Cleonice, na condição de filho único para viver no exterior

O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2013 | 02h11

Moacir Santos Junior está em paz consigo mesmo. Ele é um homem de 62 anos, cabelos grisalhos e fala lenta, procurando sempre as melhores palavras em português que traduzam os pensamentos em inglês que lhe chegam primeiro graças às mais de duas décadas em que vive em Pasadena, nos Estados Unidos. Nasceu no Rio de Janeiro e, aos 18 anos, seguiu com o pai e a mãe, Cleonice, na condição de filho único para viver no exterior.

Sua presença como convidado ilustre no festival que homenageou seu pai no Recife não é só figurativa. Moacir Junior teve de provar primeiro que poderia ter uma vida longe das generosidades lhe desfrutava por ser filho de quem é. Como forma de provar a si que poderia ser mais do que o herdeiro de Moacir Santos, se alistou no exército norte-americano e saiu em missões pelo mundo.

"Quando eu tinha 12, 13 anos, meu pai me deu aulas de piano, mas eu só queria saber de jogar futebol", lembra. Sua carreira militar, que incluiu missões estratégicas das forças armadas dos EUA em países da Ásia e América Central, durou 21 anos, até que se aposentou como primeiro sargento. Voltou então para casa e passou a trabalhar em um hospital até o dia em que começou a retribuir o que o velho havia lhe dado. Moacir Santos teve um AVC e seu filho passou a cuidar de sua recuperação. "Foi uma alegria quando retomou os movimentos. Uma vitória minha e dele." Esteve ao lado de Moacir até que ele morreu, em 2006, em decorrência de um câncer. "Eu pude cuidar de meu pai, nada paga isso. E hoje só quero agradecer a todos pelo carinho que tiveram comigo quando ele morreu." / J.M.

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