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Herdeiro de Picasso reclama de adiamento em reabertura de museu

Reforma no local deveria terminar em junho, mas visitantes só devem frequentar o espaço 'razoavelmente' em setembro

O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2014 | 11h22

Os herdeiros de Pablo Picasso disseram estar insatisfeitos com o governo da França por conta do atraso na reabertura do museu dedicado ao cubista em Paris, que estava marcada para junho e, provavelmente, acontecerá em setembro.

"A verdade é que não há intenção em abrir o museu. Tenho a impressão de que a França zomba do meu pai e de mim”, disse Claude Picasso, filho do pintor em entrevista publicada pelo jornal Le Figaro. O museu, inaugurado em 1985 em um palácio no centro de Paris, o Hôtel Salé, foi fechado em 2009 para uma ampla reforma. O orçamento é de 52 milhões de euros.

O Ministério da Cultura francês indica que “na melhor das hipóteses”, os visitantes poderão frequentar o lugar no final de julho, e mais "razoavelmente" em setembro, de acordo com o Le Figaro.

Oficialmente, os trabalhos não terminaram e é preciso contratar quarenta monitores e vigilantes para trabalhar no museu. Porém, dois organismos consultados pelo Executivo afirmaram que as atuais condições de gestão de pessoas ainda não permitem reabrir um espaço que vai abrigar cerca de 5.000 obras, incluindo obras do artista doadas por seus herdeiros e familiares, além da própria coleção arte de Picasso.

O jornal afirma que o temperamento da presidente do museu, Anne Baldassari, é parte do problema. Apesar de ter conseguido dar uma nova visibilidade à instituição, tornando-a lucrativa, ela não se dá bem com funcionários do museu. Seis pessoas, incluindo três de equipe executiva do museu, abandonaram seus cargos de supervisão na reforma.“Como todo mundo, Anne Baldassari tem suas qualidades e defeitos. Ela tem que ser precisa e rápida. Mas não delega funções”, reconhece Claude Picasso, que diz querer Baldassari à frente do museu.

O ministério da cultura francês disse que as declarações de Claude são “excessivas”. Vincent Berjot, diretor-geral de patrimônio do órgão, disse que está comprometido com a reabertura, e relembrou os investimentos do governo francês. “Colocamos 19 milhões de euros na reforma e estamos contratando pessoas para trabalhar no museu”, contou Berjot.

Berjot também afirmou que a própria Baldassari reconheceu ser impossível a reabertura do museu em junho. “É responsabilidade do ministério fazer com que a reabertura aconteça garantindo a segurança das obras e dos visitantes”.

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