GABRIELA BILO/ESTADÃO
GABRIELA BILO/ESTADÃO

Herchcovitch elege o fetiche para o inverno na SP Fashion Week

Estilista diz que desejou contar uma história "perversa" de boudoir na nova coleção

Maria Rita Alonso, Giovana Romani , O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2015 | 21h49

Alexandre Herchcovitch sabe atrair atenções. O barulho em torno de seu desfile, realizado ontem, começou dias antes, quando os fashionistas receberam como seus convites com um bilhete único carregado com R$ 7. Era uma sugestão para que fossem de transporte público ao local da apresentação, o saguão da sede da Prefeitura.

O evento, que marcou o início da São Paulo Fashion Week, contou com a presença do prefeito Fernando Haddad e da mulher, Ana Estela. A primeira dama, aliás, ajudou a amarrar a parceria com o estilista. “Tivemos uma reunião aqui e Herchcovitch ficou encantado com o prédio. Daí surgiu a ideia de fazer o desfile”, contou ela. “Adorei. É bom ver a Prefeitura aberta para as pessoas. Acho que desoficializamos o que era oficial”, disse um Haddad descontraído, usando jeans e camisa de manga curta.

A iniciativa está alinhada a um dos temas da semana de moda, que comemora 20 anos nesta edição: Ocupa São Paulo. Deu certo. No fim da tarde, o Viaduto do Chá ficou tomado por convidados. Na apresentação da coleção soturna de outono inverno 2016 de Herchcovitch, o preto dominou. Para comemorar seus 20 anos de carreira, ele buscou inspiração na própria obra.

As camisolas de tricoline de cashmere com seda e fitas de gorgurão, por exemplo, remetem às que ele fez em seu desfile de formatura. “Na época, ele fez camisolões amarrados como se fossem camisas de força”, lembra Sergio Amaral, redator-chefe da revista L’Officiel. Também estavam lá a estética dark, meio underground, e o fetichismo. “Usei matérias primas nobres e clássicas e joguei com modelagens ora muito largas, ora justíssimas”, diz o estilista. “Minha intenção era revelar o corpo no limite entre a sensualidade e a vulgaridade.”

Nesse sentido, a passarela trouxe uma sequencia de provocações. Uma modelo apareceu com parte do rosto coberto por uma balaclava e batom preto, outra com um top estrategicamente recortado para que seus seios ficassem à mostra, muitas com bodies, meia arrastão, looks transparentes. 

“As peças com argolas da coleção fazem alusão aos piercings e ao universo clubber que Alexandre frequentava nos anos 90”, diz o consultor de moda Jackson Araujo, que acompanha o trabalho do estilista desde o início e destaca sua evolução. “Hoje, ele faz uma espécie de fetiche couture, com tecidos de primeira qualidade e requinte nas costuras e nos acabamentos.”

Entre as peças mais desejadas, estavam as calças curtas com corte de alfaiataria, em couro e em cashmere. O styling que misturava diferentes padrões de xadrez foi outro ponto alto. Segundo o estilista, o desfile contou “uma história de boudoir sobre amor e perda, perversão, sexo e poder”.

A trilha sonora, com batidas que lembravam sons industriais, amarrava o conceito. Soava também hostil. Talvez com um tom de despedida, já que pode ter sido o último desfile do estilista para a marca Herchcovitch; Alexandre, que pertence ao grupo InBrands. Seu contrato deve acabar em breve e sua permanência ainda não está acertada. “Se esse for o meu último, será um lindo desfile!”, disse Herchcovitch ao FFW, site da SPFW.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.