Helô revida protesto das famílias de Tom e Vinícius

O título de Garota de Ipanema representa para Helô Pinheiro uma bênção e um estigma. "Trouxe alegrias, mas também dificuldades. Limitou minhas opções de trabalho. Uma pessoa pública se sente intimidada de, por exemplo, trabalhar como faxineira mesmo que esteja passando fome", diz, aos 57 anos, essa ex-professora primária, ex-funcionária pública, ex-atriz, ex-proprietária de agência de modelos e atual dona da loja de roupas Garota de Ipanema - inaugurada há oito meses, em São Paulo, numa tentativa de "garantir a sobrevivência familiar" do clã Ipanema. "Meu marido está desempregado há cinco anos. Estamos todos trabalhando na loja: eu, ele e minhas filhas, que fazem embrulhos." O empreendimento é o pivô da briga entre a musa de Tom Jobim e Vinícius de Moraes - que, inspirados nela, compuseram Garota de Ipanema, a segunda canção mais executada em todo o mundo - e os familiares dos compositores. Em resposta à ação de protesto movida pelos herdeiros, que a acusam de explorar indevidamente, com fins comerciais, "as imagens e a obra" de Tom e Vinícius, Helô está dando início a um contraprocesso por danos materiais e morais. "Além de ter ficado magoada, fui prejudicada profissionalmente. Não tive condição psicológica de aceitar um papel na minissérie Spa Fantasia, que a Gazeta está gravando, e me senti desmoralizada por ser procurada por um oficial de Justiça. Sou alguma criminosa, por acaso? O pior de tudo é que meu sócio está apreensivo quanto ao futuro dos negócios. Ele, que sempre foi brincalhão, anda arredio desde que tudo isso começou." Segundo Helô, o sócio, Armando Iguario, é dono de várias empresas e só aceitou ajudá-la a montar a Garota de Ipanema motivado pela perspectiva de abrir franquias da loja em todo o País. "Agora ele anda desanimado." Paulo Cremonese, advogado da empresária, entrou ontem com uma ação na Justiça em que defende o direito de Helô de explorar a marca Garota de Ipanema. "Além de ser a própria, ela tem registro do nome no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) desde 1998", diz.

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