Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Heliópolis sem estereótipos

O maestro Isaac Karabtchevsky estreia amanhã à frente da sinfônica da região e já vê ''novo caminho a ser trilhado''

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2011 | 00h00

O maestro Isaac Karabtchevsky olha pela janela e, com um sorriso no rosto, arrisca. "Vocês terão uma enorme surpresa domingo." Ele acabara de terminar o ensaio com a Sinfônica de Heliópolis, da qual tornou-se diretor em dezembro. Amanhã, faz seu primeiro concerto no posto, interpretando a Sinfonia n.º 2, de Mahler. "Muitos disseram que seria um repertório arriscado, equivocado, mas a força desses músicos mostra que não."

A nomeação de Karabtchevsky surpreendeu o meio musical brasileiro. A sinfônica acabara de voltar de uma turnê europeia e, embalada pela recepção favorável durante a viagem, resolveu fazer mudanças. A negociação com Karabtchevsky foi rápida e, menos de um mês após a volta ao Brasil, seu nome era anunciado. Nas primeiras entrevistas, o maestro garantiu - hora de alçar voos mais altos.

O Mahler que abre a temporada este ano é símbolo dessa proposta. "É preciso evitar os estereótipos", diz o maestro. "Por que uma orquestra jovem de uma comunidade carente tem que se limitar a um repertório específico, mais simples? Há um preconceito por trás dessa ideia. O trabalho que vem sendo desenvolvido aqui é muito bom, sólido, o instituto tem ótimos professores e o maestro Roberto Tibiriçá (seu sucessor no cargo) realizou um processo fundamental na construção de uma identidade de conjunto desse grupo. Avançar no repertório é uma consequência natural."

Para 2011, a temporada foi montada a toque de caixa, por conta da nomeação em dezembro. Ainda assim, acredita Karabtchevsky, já há pistas de um novo caminho a ser trilhado. "A Sinfônica de Heliópolis terá logo uma temporada regular de concertos que dê a ela espaço próprio dentro da vida musical da cidade", garante o maestro. "Eles nunca haviam tocado Mahler, mas a maneira como responderam a essa partitura dificílima mostra que estava mesmo na hora de pensar em uma solidificação da programação. Eles se deixaram envolver com a força telúrica da criação mahleriana e ao longo da execução não deixo de me surpreender com os talentos individuais que formam o grupo." Karabtchevsky não dá detalhes, mas fala em um cuidado especial, a partir do ano que vem, com a música contemporânea. "Isso daria à orquestra uma importância grande no nosso cenário musical. A questão central é que nosso talento e juventude nos permitem correr riscos. Isso é precioso."

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