'Heleno' resgata a história de jogador-problema

Heleno de Freitas (1920 - 1959) foi o primeiro ídolo do Botafogo e o primeiro jogador-problema de que se tem notícia no futebol brasileiro. Viciado em éter, Heleno teve uma vida boêmia, repleta de mulheres, festas e jogatina no Cassino Atlântica, em Copacabana. Consumido pela sífilis, o jogador perdeu tudo e morreu jovem, aos 39 anos, internado num manicômio em Barbacena (MG). Sua história será mostrada a partir desta sexta-feira nos cinemas, no longa "Heleno", estrelado por Rodrigo Santoro, com Alinne Moraes no elenco, dirigido por José Henrique Fonseca (de "O Homem do Ano", de 2003).

AE, Agência Estado

30 de março de 2012 | 10h37

Inteiramente em preto e branco, o longa começou a ser formatado há oito anos pelo diretor a partir do livro "Nunca Houve Um Homem Como Heleno", de Marcos Eduardo Neves. Por ter vivido no início do século, no entanto, não existem muitos registros em áudio e vídeo do jogador. Santoro, que é vascaíno doente, aceitou o convite de interpretar ídolo botafoguense. Mas o projeto demorou tanto para sair do papel, que o ator acabou entrando também como produtor. "Ajudei até a captar dinheiro", diz ele. O orçamento foi de R$ 8,5 milhões. Metade do valor foi dado pelo bilionário Eike Batista, outro botafoguense.

"Heleno era de um tempo em que jogador ficava num time a vida inteira", diz Santoro. "Ser jogador de futebol não era algo bacana. Havia muito preconceito. Heleno tinha o apelido de Gilda (papel de Rita Hayworth), por ser vaidoso. A paixão dele pelo Botafogo era nobre e admirável", completa. Mas Heleno também jogou no América, Vasco da Gama, no Boca Juniors (Argentina), no Junior de Barranquilla (Colômbia) e Santos. Na Colômbia, aliás, Heleno motivou uma crônica do célebre escritor Gabriel García Márquez. Então com 22 anos. "O doutor De Freitas - que deve ser um bom advogado - redigiu nesta tarde, com os pés, memoriais e sentenças judiciais", diz um trecho do artigo.

Mas o filme aborda menos de futebol e mais da vida de Heleno, mostrando como a sífilis consumiu o jogador após ele recusar qualquer tipo de tratamento. Completamente fora de controle, Heleno foi internado em Barbacena, onde definhou até sua morte. Para interpretá-lo nesse período, Santoro emagreceu 12 quilos e entregou um personagem com uma carga emocional e dramática que remete a Neto, protagonista de "Bicho de Sete Cabeças" (2001), também interpretado por Santoro. O preparador de elenco, aliás, foi o mesmo nos dois longas: Sergio Penna.

Alinne Moraes interpreta Silvia, esposa de Heleno. Na vida real, no entanto, a mulher dele se chamava Ilma. "A personagem não foi tão fiel à original", diz a atriz. "A Silvia é uma mistura de todas as mulheres com quem Heleno saiu", explica ela. Para compor a personagem, a atriz disse que conversou bastante com a neta de Ilma, que trabalhou no longa fazendo assistência de maquiagem. A princípio, o filme não seria em preto e branco, tanto é que ele foi filmado em cores. O resultado em preto e branco, no entanto, agrada. As informações são do Jornal da Tarde.

Tudo o que sabemos sobre:
cinemaHeleno

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.