Helena Severo volta à secretaria de cultura do RJ

As primeiras metas da nova secretária deCultura do Estado do Rio, Helena Severo, são realizar o primeirocenso cultural fluminense e ampliar a atuação do TeatroMunicipal no interior do Estado e fora do País. "Sãomedidas fundamentais. Ninguém sabe direito onde acontecem, quemfaz e quantas são as manifestações culturais fluminenses. Semisso, toda política pública se baseia em palpites", justificaela. "Quanto ao Municipal, é preciso integrá-lo à administraçãoestadual, da qual sempre esteve isolado. Nossa prioridade serávalorizar os corpos estáveis, criar uma comissão de programação,promover a itinerância dos espetáculos pelo interior e aprodução conjunta com teatros da América Latina, até paradiminuir os custos." Helena volta à Secretaria de Cultura com a governadoraRosinha Matheus, após o intervalo de nove meses em que o atorAntônio Grassi ocupou a pasta, no governo de Benedita da Silva (PT).Antes, com Anthony Garotinho (PSB), ela esteve no cargo por um ano ecriou programas de apoio a atividades culturais. "Os Pró-Cine,Cena, Dança Música e Livro ficaram parados nos últimos meses.Vamos retomá-los com as correções necessárias", avisa ela,lembrando que em 2001, foram distribuídos R$ 2,7 milhões paraprodução de peças de teatro e 30 roteiristas receberam ajuda decusto para desenvolver seus trabalhos. "O Pró-Dança foiimportante por promover o diálogo entre profissionais da capitale do interior, enquanto no teatro procuramos privilegiar osgrupos estabelecidos." A intenção de Helena é continuar privilegiando grupos enão montagens isoladas, na ocupação das casas de espetáculo darede estadual. "O teatro brasileiro conheceu suas melhoresfases quando havia companhias estáveis. É só citar o TeatroBrasileiro de Comédia, o Arena, o Oficina...", lembra ela.Helena quer também retomar os programas de formação de platéiaque, segundo ela, foram abandonados pela administração deAntônio Grassi. "Deixamos prontos os projetos de ingressospopulares para cinema e teatro e a Caixa Econômica ia geri-los.Como não foi adiante, vamos retomar assim que possível." Apesar das interrupções, Helena evita críticas a Grassi,indicado para a Fundação Nacional de Arte (Funarte). Preferedefinir sua linha de atuação. "É preciso pensar no Estado comoum conjunto e não separadamente na capital e no interior. O Riotem questões específicas por abrigar instituições importantes, como os museus, a Biblioteca Nacional e o próprioMunicipal, que é uma referência em todo o País", filosofa."Mas não vamos jogar fora o trabalho dos últimos meses. Querover o que é a Loteria Cultural, lançada no fim do governopassado, e saber o que é e como funciona o Fundo Estadual deCultura." Os museus do Estado precisam se modernizar, segundoHelena. Nessa rede, há instituições cujo passado glorioso estáapagado por um ostracismo no presente, como o Museu CarmemMiranda (mais visitado por estrangeiros que por brasileiros) e oMuseu da Imagem e do Som (cujo acervo está espalhado em doisprédios antigos e carentes de reforma) ou o Museu do Teatro(instalado numa casa antiga de Botafogo). "Enquanto outrasinstituições multiplicaram suas atividades, essas pararam notempo e têm a mesma estrutura há décadas", justifica asecretária. "Vamos mexer nisso também, mas primeiro vamoslevantar toda a situação. Para isso, teremos o censo." Municipal - Entre as primeiras medidas tomadas porHelena Severo, assumir também a presidência da Fundação TheatroMunicipal foi a de maior impacto, já que se esperava que DalalAchar, que ocupou o cargo na gestão de Anthony Garotinho, fossereconduzida. A secretária explica que, para integrar a casa àadministração, foi preciso acumular funções, mas ela nãopretende dirigir o Municipal sozinha. "Vamos criar uma comissãode programação, para agendar os espetáculos. Nossa prioridadeserão os corpos estáveis e levá-los para apresentações nointerior do Estado. Temos uma rede de teatros, públicos eparticulares, e espetáculos prontos para ela", avisa Helena. No entanto, a secretária prefere não adiantar a agenda para 2003,talvez para evitar a repetição de 2002, quando ela e AnthonyGarotinho anunciaram uma programação que não foi cumprida,segundo Grassi, por falta de verba. Em vez disso, Helena faz planos. Conta que vai inauguraro novo sistema de luz do Municipal, que custou US$ 1 milhão(cerca de R$ 3,4 milhões) pagos pela companhia energéticanorte-americana El Paso, sem recurso de leis de incentivo àcultura; que estenderá os serviços da Central de Inhaúma (queexecuta e guarda cenários e figurinos) a outros teatros e quetrará a Sala Cecília Meirelles para a Fundação TheatroMunicipal. "Assim, será possível agilizar sua programação",promete. "Vamos ainda criar uma coordenação para as escolas dearte do Estado. Temos a Villa-Lobos (de música) a Maria Olenewa(de dança) o Parque Lage (de artes plásticas) a Martins Pena (deteatro). Cada uma é importante na sua área, mas precisam seintegrar, como toda a cultura do Estado."

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