Helen Mirren se mostra fascinada ao viver uma francesa em novo filme

Atriz britânica está no elenco do romance da 'Walt Disney - A 100 Passos de um Sonho'

Entrevista com

Helen Mirren

ERIC KELSEY, REUTERS

06 de agosto de 2014 | 11h38

Helen Mirren, a atriz britânica vencedora do Oscar que já interpretou rainhas, aristocratas e uma modelo de meia-idade para um calendário, finalmente conseguiu o papel que seu coração há muito desejava: uma francesa.

No romance da Walt Disney - A 100 Passos de um Sonho, que estreia este mês de agosto, Mirren assume o semblante sisudo de Madame Mallory, a proprietária de um restaurante com estrelas do guia Michelin no sul da França, que entra em conflito com uma família indiana que passa a administrar um restaurante outro lado da rua.

O filme também é estrelado pelos atores Om Puri e o indiano-americano Manish Dayal e foi feito com o apoio de Steven Spielberg e Oprah Winfrey como produtores.

Aos 69 anos, Mirren falou à Reuters sobre o papel de francesa, como ela escolhe seus papéis e de que como é mais fácil encarar a críticas aos filmes do que às peças de teatro.

O que a atraiu neste filme?  

Havia um monte de atrativos. O primeiro telefonema foi de Steven Spielberg. É aquele momento clássico, (sussurra): "Steven Spielberg! Oh, yes!" E então, muito rapidamente vieram todos os tipos de benefícios: Ele seria filmado na França; eu poderia interpretar uma francesa - eu sempre quis interpretar uma francesa. É uma história maravilhosa, leve e cômica, mas uma história séria.

O que é tão intrigante sobre interpretar uma francesa?  

Eu falo francês muito bem. Eu amo a França. Eu já trabalhei na França, no teatro, e eu sempre quis ser uma atriz francesa. Não uma atriz britânica ou norte-americana, eu queria ser francesa ou uma atriz italiana. Não dá, então isso é o mais próximo que eu poderia chegar. Eu gosto da maneira que os franceses encaram as mulheres e eu gosto da maneira como as mulheres são abordadas em filmes franceses. Parece haver uma sofisticação, um requinte e uma realidade e uma complexidade sobre personagens femininas em filmes franceses que você não costuma encontrar em filmes de língua inglesa.

Qual a complexidade do seu personagem?  

Só o fato de ela administrar um restaurante, ela é uma mulher de substância, ela é uma mulher muito teimosa, mas ela é fundamentalmente decente, mas com uma mentalidade bem francesa sobre a maneira correta de fazer as coisas. Os franceses podem ser muito rigorosos sobre o que significa ser francês. Mas quando no filme isso se traduz em nacionalismo ou racismo, ela entende o problema nisso.

Como você escolhe os seus papéis?  

Depende do que eu tenha acabado de fazer e, geralmente, o que eu escolho a seguir é uma reação contra o que eu acabei de fazer para tentar encontrar algo um pouco diferente. Onde é, como é o papel e com quem eu vou trabalhar.

Você tem uma preferência por trabalhos em filmes ou palco?  

Eu prefiro filmar hoje em dia, só porque o teatro é tão desgastante e te consome tanto. Você não pode ir a lugar algum ou fazer qualquer coisa e parece que não tem fim... A cada dois ou três anos, me organizo para fazer teatro de novo, porque é muito assustador se você deixá-lo por muito tempo, você acaba perdendo o controle dos nervos.

Por que teatro a deixa nervosa?  

A coisa boa é que, se um filme recebe críticas terríveis, você diz: "Bem, não é minha culpa." No teatro, você tem de se levantar e ir lá fazer, sejam críticas positivas ou negativas. Isso é psicologicamente difícil. Eu amo filme. Eu amo o fato de que você realmente não tem ideia se ele está funcionando ou não.

Existem diferenças entre fazer filmes norte-americanos e britânicos?

Na verdade não. O figurinista é o mesmo na França, Itália, Alemanha, Austrália. O diretor de fotografia é o mesmo cara. O cineasta sempre usa uma jaqueta de couro, seja homem ou mulher, sempre. Eles são os mesmos personagens. É engraçado. E os jornalistas são sempre como você.

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