HEAVY METAL DO SERTÃO

É em Varginha, no interior de Minas, que vive um grande evento do gênero

MARCELO MOREIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h10

Um festival com atrações internacionais, no interior do Brasil, longe dos principais centros e aparentemente com infraestrutura insuficiente. Isso seria o suficiente para desanimar os mais ardoroso fã de rock pesado, haja vista o fiasco do Metal Open Air, aquele que deveria ser o maior e melhor encontro de heavy metal da história da América Latina em São Luís, no Maranhão, em 2012.

A partir do momento em que se menciona o nome do festival - Roça'n'Roll -, tudo muda. Imediatamente os termos credibilidade e profissionalismo aparecem e o que era medo se transforma em, cobiça competição. Com disputa acirrada, conseguir uma vaga no evento de rock pesado de Varginha, no interior de Minas Gerais, a meio caminho entre São Paulo e Belo Horizonte, é equivalente a um passaporte para tempos de bonança no mercado brasileiro.

O festival metaleiro da roça é hoje o mais importante evento do heavy metal nacional, ainda mais depois da megalomania fracassada do Maranhão. A edição de 2013, a 15ª, já é considerada a mais importante de todas. São três atrações internacionais: os alemães do Grave Digger, banda de heavy metal tradicional com 33 anos de carreira - e que gravou um álbum ao vivo e DVD no Brasil em 2005 -, os israelenses do Orphaned Land - grupo que mistura metal e world music e com engajamento político -, e o cantor inglês Martin Walkyer, ídolo dos apreciadores de folk metal e ex-vocalista do grupo Skyclad.

Mais do que atrações estrangeiras, o Roça'n'Roll é uma importante vitrine para grupos brasileiros de heavy metal mostrarem seus trabalhos autorais. "O evento cresceu, e tem de ter atrações que tenham apelo de público, mas é fundamentalmente um festival para que bandas brasileiras mostrem seu trabalho, já que ainda hoje não há muitas possibilidades de isso acontecer, mesmo em grandes capitais", diz o mentor e organizador Bruno Maia, cantor e instrumentista da banda Kernnuna, de Varginha.

Maia faz parte de um movimento curioso surgido no sul de Minas Gerais: o dos músicos adoradores da cultura celta. Líder do "movimento", ajudou a criar o Tuatha de Danann, grupo local com fortíssimas influências de Jethro Tull, Clannad e The Chieftains, os dois últimos pilares da moderna música pop irlandesa com sotaque gaélico-celta. O Tuatha, com quatro álbuns e dois DVDs lançados, está de recesso, e deu origem a projetos paralelos, como o Braia e o Tray of Gift, além de inspirar amigos como os da banda Cartoon.

"Em dois anos a coisa cresceu e virou um minifestival, até que amigos de outras bandas e de outros lugares do Brasil quiseram participar. Quando vimos o festival começou a se esparramar por três e com mais de 20 atrações", diz Maia.

A Fazenda Estrela foi local escolhido, a pouca distância do centro de Varginha, com espaço para a instalação de infraestrutura suficiente para, em um pico de afluência de público, receber quase 10 mil pessoas em três dias - em 2013 o festival começa na sexta, dia 30 de maio, e termina no domingo, 1º de junho. Há área de camping, nos moldes do festival alemão Wacken Open Air, linhas de ônibus regulares de hora em hora durante parte do dia e boa infraestrutura de alimentação e venda de merchandising. Varginha, por sua vez, tem uma razoável rede hoteleira, com hotéis de médio padrão, pousadas e casas para aluguel a preços não extorsivos. Além das atrações internacionais, chama a atenção deste ano a volta do Tuatha de Danann, o grande nome roqueiro da região, Os ingressos começaram a ser vendidos nesta semana e mais informações poder ser obtidas no endereço eletrônico www.rocainroll.com.br.

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