Haten e Jussara surpreendem NY

Dois outros estilistas brasileiros fizeram bonito no fim da New York Fashion Week, confirmando o país como berço de talentos promissores na moda. Fause Haten mostrou sua sofisticação cheia de brilhos na sexta-feira, em uma das tendas do 7th On Sixth, no Bryant Park, enquanto Jussara Lee promoveu um "happening" na região de Downtown para mostrar sua ótima coleção Misfit (inapropriados).Haten, em seu segundo desfile na cidade, provou que já conseguiu adequar suas criações para os padrões internacionais e, particularmente, para o intrigante mercado nova-iorquino, formado pelas compradoras mais sofisticadas da Madison Avenue e também pelas descoladas freqüentadoras do SoHo. O estilista acertou ao criar uma coleção que passeia bem entre os diferentes públicos e ainda oferece uma certa ironia nos dois casos.Em um desfile que foi reeditado e ganhou trilha sonora nova (a que acompanhou o MorumbiFashion havia sido criticada), ele mostrou looks como uma saia de georgette verde usada com uma jaqueta com pintura metálica rosa (em que o efeito lembra as aplicações metálicas consagradas por Issey Miyake), calça de algodão com faixas de plástico pintadas com casaco sem manga de algodão com pintura plástica preta (em efeito de couro usado, muito bom), além de ótimos vestidos de seda pretos.A coleção de primavera 2001 de Haten mostra humor, nas estampas tipo jelly bean (com imagens ampliadas de balas Jujuba, que aparecem em vestidos e botas), mas também peças com uma sofisticação provocante, em vestidos com alguma influência dos anos 80, que fazem bom uso dos versáteis cristais da Swarovski. A reação do público, que incluiu representantes de veículos como L.A. Times, People e Paper, foi boa, ainda que contida.Diva - Jussara Lee, por sua vez, é a menos brasileira dos brasileiros em Nova York. Ela foi a primeira a se estabelecer (entrando para a programação oficial do 7th On Sixth na metade dos anos 90 e abrindo uma loja no SoHo logo depois) e uma das mais bem-sucedidas até agora, tendo sido chamada pelo New York Times de "a diva de Downtown". Depois de uma série de coleções algo comportadas, ela resolveu se rebelar. E acertou em cheio.A estilista teve a idéia mais fresca de toda a temporada ao apresentar suas roupas femininas com um muito bem escolhido casting de garotos - garimpados em eventos descolados da cidade, como as festas do P.S.1, o moderno centro de arte contemporânea em Queens. Seus homens vestidos de mulher não tinham nada de caricatos, ficando restritos à androginia do make-up e dos cabelos dos anos 80 - tudo impecável.Jussara, procurando uma "atitude libertadora", criou uma coleção que em nada lembra a moda urbana de suas executivas de anos atrás. No lugar, aparecem vestidos sem manga de jérsei listrados em tons fortes, jaquetas estruturadas com um traço de mangas bufantes e delicados tops de organza plissados tomara-que-caia. Tudo festivo, colorido e cheio de personalidade.A estilista, que arrancou vários aplausos de um excitado público de sábado à noite, ganha pontos ao apostar na modernidade de forma madura e consistente, sem derrapar na intuição. Jussara usa seus quase dez anos de Nova York para explorar novos caminhos na linguagem do Downtown e sua nova fase tem tudo para emplacar nas rodas mais descoladas da cidade.

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