Hassum, sob um sol de rachar

Meio-dia. A cena você não vai ver em Até Que a Sorte nos Separe, mas é muito engraçada. Com o sol a pino, Leandro Hassum só se movimenta no set seguido por aquele cara que carrega o guarda-sol. Formam uma dupla hilária. Leandro não é exatamente um cara magro, como sabe o público que o conhece da stand up comedy e de Os Caras de Pau. Com o calorão, seus gestos são lentos. "Vamos rodar. Ação!", anuncia a assistente. O guarda-sol desaparece e o ator improvisa uma corrida, atirando-se sobre um colchão.

RIO, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2012 | 03h09

A cena filmada é detalhe de uma partida de tênis. O antagonista, Maurício Sherman, só filmará à tarde. É preciso repetir duas, três vezes. Nos intervalos, o dublê de Leandro assume o posto, para as marcações. Só na hora dos closes é chamado de volta. Até Que a Sorte nos Separe é uma adaptação do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, que virou um fenômeno editorial. Vendeu mais de 1 milhão de exemplares, satirizando a corrida pelo dinheiro e o gosto pelo consumo que são as molas propulsoras da economia de mercado.

O filme é uma produção dos irmãos Caio e Fabiano Gullane. "O perfil deles é de produtores de filmes artísticos, cabeça. Quiseram investir num projeto mais comercial e me chamaram", conta o diretor Roberto Santucci, que trouxe sua equipe vitoriosa de De Pernas pro Ar. "O filme foi formatado para o Leandro, que é muito talentoso, mas não deixa de envolver certo risco. O público já conhece o Leandro de outras mídias, teatro e TV. Não sabe do que ele é capaz no cinema. Nem ele sabia. Fomos descobrindo ao filmar. É muito bom."

Por que a partida de tênis? "No filme, o Leandro ganha uma fortuna que dilapida com a mulher perua (Daniele Winits). Sem dinheiro, ele pede ajuda ao parente milionário da mulher, que impõe uma condição. Leandro terá de vencê-lo no tênis. Parece fácil, pois o cara - o personagem de Maurício Sherman - é um velhinho. O jogo se revela duro.

Santucci vive um momento singular de sua carreira. Fez Bellini e a Esfinge, baseado no livro de Tony Bellotto, com Malu Mader - mulher do escritor -, e o filme, embora interessante, fez míseros 60 mil espectadores nos cinemas. "Em DVD, vendeu bem, mas já tinha me colado uma etiqueta. Quando fiz Alucinados, não encontrei apoio para finalizar nem lançar o filme." E aí ocorreu o fenômeno De Pernas pro Ar, que bateu a marca de 3,5 milhões de pagantes. Santucci virou 'bancável'. Todo mundo corre atrás dele e o diretor até acha que agora vai conseguir mostrar o Alucinados.

A agenda está lotada. Ele estará finalizando Até Que a Sorte nos Separe (para ser lançado no segundo semestre) e, este mês, já se atira na pré-produção de De Pernas pro Ar 2, com data programada para janeiro de 2013. O sucesso de De Pernas pro Ar deveu muito a Ingrid Guimarães. Santucci compara Leandro Hassum a ela. "Se o público rir com ele metade do que a gente ri no set, o filme vai ser um estouro." / L.C.M.

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