Harvard compra documentos de amante de Norman Mailer

De acordo com os papéis vendidos por Carole Mallory, Mailer fez visitas semanais à amante, de 1983 a 1992

Da Redação,

24 de abril de 2008 | 20h49

De acordo com informações da CNN, uma atriz e escritora que declarou ser amante antiga do escritor americano Norman Mailer vendeu documentos que incluem longas descrições da vida sexual do casal e rascunhos escritos à mão, com a caligrafia dela, à Universidade de Harvard, onde Mailer se formou.  Carole Mallory guardou sete caixas de material que ela disse ter coletado durante as visitas semanais de Mailer, de 1983 a 1992, enquanto ele era casado com sua sexta e última mulher, Norris Church. "Nós tínhamos aula de texto, fazíamos amor e então íamos almoçar, e eu guardei todas as lições de texto", disse Carole, 66. "Eu queria que ele me ensinasse a ser escritora. Ele foi um dos maiores escritores da América." Carole, que atuou em filmes como "The Stepford Wives" e foi modelo, não conta quanto recebeu pelo material, bem como a Harvard University. A universidade recebeu os documentos no último mês, contou Beth Brainard, porta-voz da biblioteca de Harvard. Ele disse que a universidade queria os documentos por causa da importância de Mailer como escritor, e porque ele foi um aluno de Harvard. "É importante ter Mailer representado de alguma maneira na coleção", disse Brainard. O escritor, que morreu em novembro do ano passado, aos 84 anos, vendeu seus próprios arquivos para a Universidade de Texas por U$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 4,1 bilhões). Carole, que mora em Jeffersonville, na Pensilvânia, diz que esperou até depois da morte de Mailer para divulgar os materiais, por respeito ao escritor e sua família. Ela disse que decidiu vender os documentos porque ela "sabia que eram valiosos", e também queria que fossem parte da história. A coleção inclui fotos, transcrições de entrevistas com Mailer, escritos à mão de trabalhos de Carole e rascunhos das aulas de texto que ele dava. Ela ainda se lembra dos princípios que Mailer enfatizava, como: mantenha o diálogo direto; fuja dos advérbios; não dê sermões no leitor. A coleção também contém memórias inéditas de Carole, incluindo uma cena de sexo com Mailer descrita em 20 páginas, e um trecho de 50 páginas de descrições de cenas de sexo, baseado em seu relacionamento com Mailer e que foi escrito para um dos livros dela. A escritora conta que Mailer a desafiou a escrever um trecho daquele tamanho. "Não acredito em vergonha", Carole disse. "Eu acredito em fazer amor e em amar. Não fico cultivando segredos ou tendo vergonha em amar alguém. E não acho que sexo seja algo para se ter vergonha."

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