"Harper´s Bazaar" volta ao antigo perfil

Chegou às bancas dos Estados Unidos a edição de novembro da revista Harper´s Bazaar, a primeira feita de cabo a rabo pela nova editoraGlenda Bailey (ex-Marie Claire). Ela e o diretor de criação Stephen Gam (Visionaire) apostam na volta da publicação às suas épocas áureas, com referências ao trabalho das editoras Diana Vreeland e Liz Tilberis, o retorno de fotógrafos comoRichard Avedon e Hiro, páginas com design clássico e reportagens sobre temas menos "populares".A edição de novembro tem Gwyneth Paltrow na capa, em um minivestido de seda dourada de Versace. Coincidência ou não, a atriz também esteve na capa da edição de estréia da editora KateBetts, que ficou no posto por apenas um ano depois da morte de Tilberis, em 1999. Na época, Paltrow teve um close de seu rosto fotografado por Craig McDean. Desta vez, aparece de corpointeiro em uma imagem de Patrick Demarchelier, o fotógrafo que é sinônimo de Harper´s Bazaar há dez anos. Nas páginas internas, a atriz também aparece nua em duas imagens empreto-e-branco.A nova política da Harper´s Bazaar deve apostar em capas com mais atrizes de cinema do que modelos, o que é quase inevitável nesses tempos de culto a celebridades. Nas páginas internas, a situação é diferente. A mudança de rumo na direção oposta do mercado de massa está bastante clara, a começar pelas reportagens: por exemplo, "festas de cirurgia plástica", emque mulheres transformam uma aplicação de botox em evento social e "couture diets", em que a elite que pode comprar peças de alta costura diz o que faz para manter a silhueta. Até poucotempo atrás, alta costura era uma expressão quase banida de revistas de moda em busca de um público jovem.É no design gráfico que a revista de moda mais influente do mercado americano depois da Vogue mostra a sua nova política. Gam olha para o passado da publicação e mostra que aforça do nome Harper´s Bazaar está na tradição. O "chic" está presente na utilização quase que exclusiva de preto, branco e um pouco de vermelho. Várias páginas ganham fundo preto etipografia clássica. Os lay-outs também apostam no "limpo" e clássico. A mudança mais importante de todas está na capa: saiu o logotipo com look hi-tech implementado em 1999 pelo ex-diretorde criação Michel Botbol e volta o design tradicional feito pelo famoso diretor de arte Alexey Brodovich, em letras com serifa.Na fotografia, Bailey e Gam investem em nomes consagrados e talentos dos últimos tempos. A dupla holandesa Inez Van Lamsweerde e Vinoodh Matadin vai ter presença garantida nofuturo próximo da revista. Favoritos das páginas da Visionaire e da revista V, eles tiveram suas carreiras impulsionadas pelas publicações e atualmente trabalham com freqüencia em projetos de Gam. Todos têm um background artístico e não apenas no mundo da moda. Na mesma turma está o fotógrafo Terry Richardson, que tinha desaparecido das páginas da revistapor exigência de Betts, que não gostava de suas imagens "underground".A surpresa maior foi a volta, ainda que discreta, de Avedon e Hiro. Na época em que Fabien Baron (responsável pelo livro Sex, de Madonna, entre outros) virou o diretor de criação deTilberis, os dois recusaram o convite para continuar a trabalhar na revista (Avedon foi mais longe e proibiu a publicação de qualquer imagem sua, a não ser na capa). Bailey mostra que estáem bons termos com as duas lendas da fotografia de moda. Hiro faz um "still-life" em uma reportagem sobre saltos altos, enquanto Avedon dá imagens tiradas por ele em Paris nos anos 50 a "caixa", que tem fotos de Audrey Hepburn e Suzy Parker, estava perdida em seus arquivos.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2001 | 13h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.