Um dos aspectos mais ricos da Jornada é que ela resgata o acompanhamento musical do silencioso. Qual é o conceito?

10 de agosto de 2012 | 03h10

Reunimos um conjunto muito competente de músicos para fazer os acompanhamentos. E é curioso. Há um público atraído pelos filmes, todo mundo quer ver os filmes, mas tem gente que também quer 'ouvir' o que Abaetetuba, Camerata Aberta e os outros vão apresentar. Esse acompanhamento integra-se à Jornada, é parte dela.

De que maneira resgatar a vanguarda russa e o expressionismo influenciam no aspecto musical?

O uso de ritmos assimétricos, de pausas e ruídos liberta a temporalidade musical da ideia de linearidade e cria uma relação íntima entre o método de representação e o conteúdo representado. Nos filmes mais 'visuais', a imagem não apenas ilustra, como vira a narrativa. Na música, também. O que seria segundo plano ganha autonomia, como a exploração de timbres e dinâmicas na improvisação livre e na música contemporânea de concerto. É possível ouvir sombreamentos, colorações e profundidades.

Isso representa um custo?

Sem dúvida. É preciso montar uma mesa de som, mas a contrapartida da riqueza que os recursos sonoros acrescentam aos filmes é imensa. Só para destacar o grand guignol, a derrisão mórbida dos novos tempos fica exposta. / L.C.M.

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