Há três anos, ator encarna Padre Vieira em monólogo

No lançamento do livro "400 Anos Padre Vieira - Imperador da Língua Portuguesa" hoje, no Consulado Geral de Portugal, em São Paulo, estará entre os presentes uma pessoa que vivencia literalmente a vida do jesuíta. Há três anos, o ator Adilson Azevedo vem apresentando o monólogo "Sermão do Bom Ladrão", cuja primeira encenação ocorreu no Pátio do Colégio, em 2008.

ROGER MARZOCHI, Agência Estado

20 de maio de 2010 | 14h33

"É uma grande experiência como ator. Eu sempre tive vontade de fazer um monólogo e, além disso, há uma questão espiritual forte", diz ele, que já atuou em grupos e companhias de Antunes Filho e Cacá Rosset e indicado três vezes para o prêmio de melhor ator pela Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (Apetesp).

"Houve grande modificação na minha vida e compreendi, na pele, o que Padre Vieira fala sobre a questão da restituição da alma e da matéria. A questão do eterno retorno, do que você faz em vida, você paga em vida", conta o ator, que aos 14 anos, em sua escola em Campinas (SP), ouviu pela primeira vez o "Sermão da Sexagésima". "E meu desejo foi ser ator para poder encená-lo também", disse, quando à época já fazia teatro amador.

Azevedo foi convidado pela jornalista e dramaturga Vera Amatti, amiga dos tempos em que ele estudava na Escola de Arte Dramática da USP, a vivenciar esse personagem em 2008. Ela havia feito uma tese sobre o Padre Vieira e, após ver uma apresentação de um ator em Portugal interpretando sermões de Vieira, voltou ao Brasil com a ideia de fazer um monólogo.

O sermão foi realizado por Vieira em 1655, na Capela da Misericórdia, em Lisboa, e mantém impressionante relação com a atualidade ao discutir justiça, igualdade, ética e corrupção. Da estreia no Pátio do Colégio até hoje, o monólogo percorreu pelas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, São Bernardo do Campo, Campinas, Salvador e foi apresentado, em maio do ano passado, em cinco cidades de Portugal. Em Salvador, houve um momento de forte emoção. O camarim foi montado no quarto onde já ficara o Padre Vieira, na Catedral da Sé, no Pelourinho. "Tinha lá uma cadeira e um púlpito dele no quarto. Fiquei lá, esperando o momento para entrar em cena e senti uma energia muita forte naquele lugar."

Sermão do Bom Ladrão. Informações sobre o espetáculo, pelo telefone (11) 7232 3268.

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