Há 40 anos morria Cecília Meireles (1901-1964)

Há 40 anos, em 9 de novembro de 1964, morria Cecília Meireles, na mesma cidade do Rio de Janeiro onde nasceu. Uma das maiores poetas brasileiras, Cecília nasceu em 7 de novembro de 1901. A história da sua vida remete à sua carreira de escritora, poeta e professora, dona de uma vasta obra literária.O pai morreu antes que ela tivesse nascido, e a mãe, antes que completasse os 3 anos. Ela foi a única dos quatro filhos do casal que sobreviveu. Criada pela avó, Jacinta Garcia Benevides, dizia que o silêncio e a solidão que marcaram a sua infância, ao contrário de parecerem sinais negativos, foram positivos para ela.Tornou-se professora aos 16 anos, depois poeta, ao publicar o primeiro livro, Espectros, aos 18, em 1919. Casou-se aos 21, com o artista plástico português Fernando Correa Dias, que seria o ilustrador de seus livros e pai de suas três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda. O marido se matou e ela voltou a se casar em 1940, com o professor Heitor Grilo."... Essas mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o efêmero e o eterno". Marcas que podem ser identificadas em sua poesia.Mulher ao Espelho (publicado em Mar Absoluto, de 1945) Hoje, que seja esta ou aquela, pouco me importa. Quero apenas parecer bela, pois, seja qual for, estou morta. Já fui loura, já fui morena, Já fui Margarida e Beatriz, Já fui Maria e Madalena. Só não pude ser como quis. Que mal faz, esta cor fingida do meu cabelo, e do meu rosto, se tudo é tinta: o mundo, a vida, o contentamento, o desgosto? Por fora, serei como queira, a moda, que vai me matando. Que me levem pele e caveira ao nada, não me importa quando. Mas quem viu, tão dilacerados, olhos, braços e sonhos seus, e morreu pelos seus pecados, falará com Deus. Falará, coberta de luzes, do alto penteado ao rubro artelho. Porque uns expiram sobre cruzes, outros, buscando-se no espelho. Cecília Meirelles teve um papel importante na cena intelectual e política de seu tempo. Em 1922 ligou-se às vanguardas modernistas. Em 1938 ganhou o importante Prêmio de Poesia, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo livro Viagem. Atuou no jornalismo, que despontava e se desenvolvia surpreendentemente na época. Escrevia diariamente sobre os problemas da educação, de 1930 a 1934, no Diário de Notícias. Não poupava críticas à ditadura do Estado Novo implantada pelo então presidente da República Getúlio Vargas. Criou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro. Deu aulas de literatura na Universidade do Distrito Federal, hoje UFRJ, e fez conferências nos Estados Unidos, Europa, Ásia e África. Traduziu peças teatrais, livros de poesia e prosa, e deixou numerosos textos inéditos. Sua poesia foi traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, entre outros.Em sintonia com o espírito nacionalista de época em que viveu, desenvolveu também trabalhos ligados à história do Brasil. O Romanceiro da Inconfidência é considerada sua obra-prima. Uma narrativa rimada, melódica, resultado de dez anos de pesquisas remetendo ao episódio histórico da Inconfidência Mineira."...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda..." (Romanceiro da Inconfidência, 1953) Relação parcial de suas obras. Criança, meu amor, 1923 Nunca mais..., 1923 Poema dos Poemas, 1923 Baladas para El-Rei, 1925 O Espírito Vitorioso, 1935 Viagem, 1939 Vaga Música, 1942 Poetas Novos de Portugal, 1944 Mar Absoluto, 1945 Rute e Alberto, 1945 Rui - Pequena História de uma Grande Vida, 1948 Retrato Natural, 1949 Problemas de Literatura Infantil, 1950 Amor em Leonoreta, 1952 12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952 Romanceiro da Inconfidência, 1953 Poemas Escritos na Índia, 1953 Batuque, 1953 Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955 Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955 Panorama Folclórico de Açores, 1955 Canções, 1956 Giroflê, Giroflá, 1956 Romance de Santa Cecília, 1957 A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957 A Rosa, 1957 Obra Poética,1958 Metal Rosicler, 1960 Antologia Poética, 1963 Solombra, 1963 Ou Isto ou Aquilo, 1964 Escolha o Seu Sonho, 1964 Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965 O Menino Atrasado, 1966 Poésie (versão francesa), 1967 Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998

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