Arquivo pessoal
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Há 30 anos, morria o poeta Vinícius de Moraes

Um dos maiores poetas brasileiros do século 20, Vinícius também ficou famoso por músicas e parcerias

Rose Saconi, Estado de S. Paulo

09 de julho de 2010 | 14h40

Foi com emoção que o Brasil recebeu, no dia 9 de julho de 1980, a notícia da morte do poeta e compositor Vinícius de Moraes. Depois de passar a madrugada compondo músicas infantis com seu parceiro Toquinho, sentiu-se mal ao acordar pela manhã. Antes que a ambulância chegasse, morreu ao lado de sua mulher Gilsa. Estava com 66 anos de idade.

 

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Capa do Estado de S. Paulo um dia após a morte de Vinícius

 

Além da notícia estampada na capa do Estado, duas páginas inteiras foram dedicadas para homenagear o poeta, com informações sobre sua vida pessoal, discografia, livros publicados, fotos, charges, reprodução de poemas e artigos enaltecendo a sua contribuição à música popular brasileira.

 

Repercussão. Considerado um dos maiores nomes da poesia contemporânea, Vinícius deixou uma forte marca na memória das pessoas com as quais conviveu. "Ele era perfeito, senhor absoluto de sua arte e soube interpretar, de maneira fina, o sentimento do seu povo", falou ao Estado o também poeta Carlos Drummond de Andrade.

 

"Eu o conhecida há quase 50 anos. Era como se fosse meu irmão mais moço. Vinícius ocupa um papel enorme na poesia e na música popular", destacou o historiador Sérgio Buarque de Hollanda.

O escritor Antonio Callado lamentou, "estou bastante chocado, pois há pouco mais de um mês estive com ele e pareceu-me bem de saúde".

 

Sua musa Heloísa (Helô Pinheiro), a moça que inspirou Garota de Ipanema, a mais conhecida de suas composições, foi ao enterro e declarou à reportagem "A música silenciou. Ele representava o amor e o carinho, tudo o que uma pessoa pode ter de bom".

 

Biografia. O carioca Vinícius de Moraes era predestinado à poesia. Filho de um casal da classe média (seu pai, Clodoaldo, era funcionário público), nasceu no dia 19 de outubro de 1913, no bairro da Gávea.

 

Formou-se em Direito, mas não exerceu a advocacia por mais de um mês. Trabalhou como redator, foi crítico de cinema durante algum tempo (combateu o cinema falado), e foi até censor cinematográfico.

 

Em 1943 ingressou na carreira diplomática. Serviu em Los Angeles e em Paris, onde era mais encontrado nos bistrôs (em que tomava bons vinhos) do que na embaixada onde dava expediente. Nesse tempo nasceu o apelido carinhoso, Poetinha.

 

Apesar de notória aversão ao trabalho burocrático, exerceu o ofício até ser aposentado, compulsoriamente, pelo AI-5, em 1968. Ao perder o emprego, porém, já se dedicava para a Música Popular Brasileira. Participou do surgimento da bossa nova e era o autor de clássicos como a Canção do Amor Demais, Soneto da Separação e Garota de Ipanema.

 

Mulheres. Vinícius amou tanto quanto pôde. Além das inúmeras paixões pelas quais foi acometido ao longo da vida, ao morrer havia sido casado nove vezes, tinha cinco filhos e três netos.

 

Depois de deixar o Itamaraty, passou a viver de música, apresentando-se ao lado de Toquinho, do Quarteto em Cy, de Maria Creuza, entre outros.  

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