Guitarrista conta detalhes de 'Sight Unseen'

A canção e o conceito são vertentes que o guitarrista Lee Ranaldo, formado em artes visuais, explora paralelamente desde que o Sonic Youth decolou e chegou ao mainstream durante o boom de bandas alternativas liderado pelo Nirvana, no início dos anos 90. "Me interesso bastante pela polarização entre o popular e o experimental, entre o concreto e o abstrato", conta Ranaldo, que já publicou diários de viagem, livros de poesia (um deles baseado na linguagem spam que pragueja nossas caixas de e-mail) e uma série de obras audiovisuais em parceria com sua mulher.

ROBERTO NASCIMENTO, Agência Estado

11 de julho de 2013 | 09h56

O lado músico, no entanto, continua falando alto, e a linguagem básica e despretensiosa de Between the Times é fruto de um interesse renovado pela simplicidade da canção e de suas roupagens folk e alternativas. "Fiz o disco quando a banda estava em recesso, antes do problema da Kim e do Thurston vir à tona", conta Ranaldo por telefone, de Halifax, Nova Escócia, quando o repórter pergunta se suas ensolaradas excursões resultam de uma saudade do Sonic Youth. "Queria fazer um disco acústico, mas as canções tomaram proporções maiores, saímos em turnê, e acabamos fazendo outro com a banda que está na estrada. Este sai em outubro, mas já incluímos a música nas apresentações", completa.

A amplificação de Between The Times and the Tides, originalmente um disco acústico, aconteceu quando Ranaldo juntou-se a Steve Shelley, baterista do Sonic Youth, John Medeski, do trio Medeski Martin & Wood, e Nels Cline, guitarrista do Wilco - entre outros. São todos parceiros de outros projetos, que contribuem à precisão veterana do disco. O processo de composição, entretanto, foi improvisado, sem diretrizes, e guiado por um reencontro com o violão, um approach que destoa dos outros discos de Ranaldo, em que explora sons abstratos e gravações ambientes.

"Enquanto planejava Between the Times, redescobri o violão aos poucos. Muito do prazer de compor está em descobrir ou redescobrir algo. Arriscar uma nova afinação, ou tocar o material com a banda para ver o que acontece", diz. Diferentes formas de afinar a guitarra são marcas registradas do Sonic Youth, que longe de serem teóricos, compuseram memoráveis canções em meio às digressões vanguardistas. Para Ranaldo, trocar a afinação traz um frescor à música, como reembaralhar uma série de cartas para enxergar um jogo de tranca de outra forma. "Às vezes você troca uma afinação, ou toca em um novo instrumento, e encontra uma canção imediatamente por causa da mudança", diz.

AGENDA

Lee Ranaldo and the Dust - O guitarrista toca seu último disco "Between the Times and the Tides" junto a Steve Shelley, parceiro do Sonic Youth. Em entrevista, prometeu canções de um novo disco, fruto de sua convivência com a banda, que será lançado em outubro (dias 18, 19 e 20 do 07, no Sesc Araraquara e no Sesc Pompeia).

Lee Ranaldo e Leah Singer: Sight Unseen - Na semana seguinte, nos dias 23 e 24, Ranaldo mostra uma de suas colaborações audiovisuais com sua mulher, Leah Singer, no auditório do Sesc Pompeia. A performance inclui uma guitarra pendurada em movimentação circular, que emite ruídos em frente a uma série de imagens de vídeo concebidas pelo casal.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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