Guimet reabre com as artes plásticas asiática

Guimet, o museu nacional das artes asiáticas, finalmente reabre hoje as suas portas, depois de cinco anos de reformas que aumentaram seu espaço e modernizaram sua museografia. Com dois mil metros quadrados suplementares e uma arquitetura fenomenal, essa instituição, antes vetusta e apenas acumulativa, abriga agora novas obras-primas dentro de um percurso fluido e banhado pela luz natural. Porém, descobrir esse novo rosto do Museu Guimet significa, antes de tudo, encontrar um dos mais preciosos patrimônios artísticos que a França possui. Por fora, nada mudou. Este prédio de ângulo que dá sobre a Praça Iéna e que abriga a instituição fundada por Emile Guimet em 1989 continua lá, ao lado do Museu do Homem; do Museu da Marinha - alto lugar das viagens; do discreto Museu Ennery das lacas japonesas e cerâmicas chinesas; do recente Museu Dapper, dedicado às civilizações africanas; e do Palácio de Tóquio, onde fica o Museu de Arte Moderna da cidade de Paris, famoso pelas exposições de ponta com artistas do mundo inteiro. Ele permanece ali, com a rotunda branca velando os tesouros da arte khmer, hindu, chinesa, japonesa e coreana, agora enriquecidas por novas doações. A entrada aparentemente é a mesma com a sua grande escadaria rodeada por oito colunas. Passado o vestíbulo suntuoso, no entanto, temos a surpresa de uma transformação radical : a velha e labiríntica casa de Guimet está irreconhecível! Foram necessários 13 anos de negociações travadas durante cinco gestões sucessivas do Ministério da Cultura para que esse projeto-símbolo da xenofilia francesa fosse realizado. Com apenas 12 meses de atraso, o Guimet brilha agora sobretudo pelo extraordinário conjunto de arte Khmer, pois as coleções indianas ainda guardam o seu ponto de convergência em Londres por causa da história colonial da Inglaterra e, conseqüência da diáspora, as pinturas e caligrafias chinesas certamente têm lugar preponderante nos Estados Unidos. Contudo, graças às novas aquisições, a uma série de doações excepcionais e ao caráter aberto das coleções, o museu voltou a ser um dos mais importantes do mundo consagrados às artes da Ásia. Hoje, ele possui mais lugar nos depósitos, salas de exposições temporárias (onde se inaugura a Àsia das Estepes - de Alexandre o Grande a Gengis Khan) e um novo auditório. Com uma diferença de 8% o orçamento original - arrecadado entre patrocinadores da França e do extremo-oriente - foi mantido. Adivinha-se aqui, o dedo de Jacques Chirac, um declarado apaixonado pelas artes asiáticas. O custo total da reforma foi de 350 milhões de francos (cerca de US$ 50 milhões). E o total de obras depois da exploração e identificação judiciosa da coleção, das doações e aquisições com o apoio de mecenas que se deixaram influenciar pelo entusiasmo da equipe chefiada pelo conservador Jean-François Jarrige, pulou para mais de 44 mil. Mãos astuciosas - Além de um museu-compêndio, o Guimet é hoje uma espécie de museu-passeio desenhado pelas mãos astuciosas de conservadores viajantes, muitos deles arqueólogos. O percurso aparentemente dominado pela estética, na verdade é sutilmente didático. Os painéis são discretos com informações apenas essenciais. Como se costuma fazer na nova museografia, as peças-mestras estão dispostas como referências nos eixos principais e nas intersecções das salas para ajudar a seguir as correspondências secretas entre as obras. Os mais curiosos terão ao seu alcance fones de ouvido em oito línguas diferentes. As grandes áreas destinadas a cada civilização se organizam em torno de vizinhanças culturais. Assim, a alguns passos dos primórdios japoneses, encontraremos as origens da Coréia. E, se a Índia e a Ásia do sudeste ficam no térreo enquanto que a China reina nos andares superiores, o budismo e o caminho da seda lançam as suas passarelas entre esses mundos que nunca foram estanques. Nada ou muito pouco de artifícios: os abusos demonstrativos, a tentação das simetrias reinventadas ou das falsas reconstituições não tem lugar no Guimet. A equipe do Museu e seus arquitetos preferiram uma instalação orquestrada pela nuança das notas, cores e luzes. Henri e Bruno Gaudin, os arquitetos, recusaram o "estilo cadafalso" comum a muitos museus onde a iluminação ainda é regulada pela eletricidade. Quiseram conservar o espírito da "casa" de Émile Guimet onde coexistiram etnografia, reverência estética, arqueologia e repartição de conhecimentos. Segundo eles, a luz zenital como aquela da grande galeria do Louvre "é uma luz universal que nega o movimento cósmico", por isso a de Guimet muda com as horas e as estações do ano. Esta foi uma escolha fundamental para essa instituição consagrada às trocas e partilhas de religiões e do saber. Um museu que deixou de ser simplesmente um mostruário de coleções para constituir um templo da civilização.

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2001 | 13h22

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