Gugu pode ser indiciado por falsa entrevista

A polícia e o Ministério Público Estadual (MPE) querem indiciar o apresentador Gugu Liberato, sob a acusação de apologia ao crime, com base no artigo 16 da Lei de Imprensa. Para impedir isso, o advogado Adriano Sales Vanni, vai apresentar hoje uma petição no inquérito que apura o caso da falsa entrevista com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A encenação foi exibida pelo SBT no dia 7, durante o programa Domingo Legal. Na petição, Vanni pedirá ao delegado Alberto Pereira Matheus Junior, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), que reconsidere a decisão e ouça seu cliente apenas em declarações. Vanni alega que a acusação trata de um crime de menor poder ofensivo que, pela lei, não gera antecedente criminal a quem é primário. O apresentador foi intimado a depor na quinta-feira. É a primeira vez em que a polícia ouvirá sua versão. "Vamos tentar evitar o indiciamento até porque o Gugu não viu nada antes de ir ao ar", disse Vanni. Caso o delegado mantenha a intenção, o advogado deve pedir ao Departamento de Inquérito Policiais (Dipo) um habeas-corpus preventivo para evitar indiciamento. Oficialmente, a polícia não diz que pretende indiciar o apresentador.SBT deixa de faturar R$ 1,5 milhão - Não foi por causa da ameaça de ser multado em R$ 100 mil que o SBT acatou a decisão da Justiça de não levar o programa ao ar no domingo. Afinal, embora o Domingo Legal esteja perdendo crédito com anunciantes em razão da farsa, costuma faturar, em média, R$ 1,5 milhão por edição. Desse montante, R$ 750 mil vão para o SBT e os outros 50%, para a GGP, empresa de Gugu Liberato. Essa soma vem das inserções no horário comercial e dos merchandisings - anúncios feitos pelo próprio Gugu, durante o programa. Apesar das cinco horas de duração, o Domingo Legal tem só quatro intervalos comerciais, de dois minutos cada. Trinta segundos valem R$ 86,2 mil para propagandas veiculadas em rede nacional. Em média, o apresentador faz de 8 a 12 anúncios por edição, ao custo de R$ 150 mil cada. Em geral, pelo menos três desses merchandisings são de produtos do próprio Gugu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.